Nenhum partido é eterno

Na política, é sempre possível dizer uma coisa e fazer outra, mas não se espera que isso aconteça de forma tão descarada como a que foi feita por Luís Montenegro a respeito do Chega. Onde Rui Rio falhou com estrondo e Montenegro parecia querer fazer diferente, o PSD não muda nada.

A normalização de um partido racista e xenófobo, de tal forma avesso à Democracia que entende como ditadura o simples exercício livre do voto, mereceu de André Ventura um agradecimento sentido ao PSD. O agridoce desta relação que nunca foi nem carne, nem peixe, com a anterior liderança, chegando ao profundo disparate de admitir, nos últimos dias de campanha, uma geringonça com a extrema-direita, parecia ter passado a assunto muito bem resolvido pelo novo líder. Quem criticava o PS por ter feito uma aliança com a extrema-esquerda que não quer a NATO nem o euro, mesmo depois de os socialistas terem deixado estas matérias fora do acordo, e prometia que, com ele, coisa parecida nunca aconteceria, era suposto estar a dizer ao Chega que nunca seria poder.

Esta é uma estratégia que acaba por favorecer o PS, afastando do PSD eleitores cansados do governo socialista mas que nunca aceitarão votar nos social-democratas se desconfiarem que esse voto pode ser transformado num cavalo de Tróia para levar racistas ao poder. O PSD transforma-se assim num partido a quem os adversários agradecem.

Ninguém duvida que o poder acabará por cair no colo de um partido da oposição e do líder que lá estiver na hora certa. O risco para os partidos de centro-direita, aqui como pela Europa fora, é do acabarem secundarizados e usados pelos extremistas, perdendo o respeito dos eleitores moderados.

O PSD parece ainda não ter percebido que nenhum partido é eterno.

Recomendadas

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de