O diretor Marcelo, o professor António e o menino Pedro

Ontem de manhã, no Fórum, o Manuel Acácio questionou-me sobre a decisão do ministro Pedro Nuno Santos de avançar para o Montijo, a caminho de Alcochete, com obras urgentes no aeroporto Humberto Delgado. A pergunta tinha um pré-requisito que não podia ser esquecido, meia hora antes o primeiro-ministro António Costa tinha mandado revogar o despacho do ministério liderado por Pedro Nuno.

Não hesitei. A política tem regras e ninguém consegue escapar a uma desautorização que tinha contornos de humilhação propositada, de um chefe de governo que - vamos dizer assim - não morre de amores pelo seu ministro. E já que estamos em maré de eufemismos, acrescente-se que esse não-amor é reciproco. Pobre Manuel Acácio, as minhas certezas ainda lhe devem estar a ecoar nos ouvidos. Não há ministro, Manuel Acácio, o ministro já foi demitido ou demitiu-se, não é possível continuar no governo.

Estou a recordar esta história e continuo perplexo. Como é possível que o primeiro-ministro diga que houve uma falha grave de um seu subordinado consigo próprio e com o Presidente da República e não o tenha exonerado? Como é possível que Pedro Nuno Santos tenha preferido sujeitar-se à humilhação política da declaração que foi obrigado a fazer, depois do encontro com o primeiro-ministro, do que iniciar um caminho politico autónomo?

Ouvimos o Presidente da República, à hora dos telejornais, a dar um laço na prenda que ofereceram ao país, deixando claro que foi o primeiro-ministro que assumiu a responsabilidade de ficar com Pedro Nuno Santos no governo, e ficamos nós com a certeza que Marcelo Rebelo de Sousa e António Costa quiseram dar um açoite público no ministro que tem tanto de mal comportado como de pequeno génio, mas a quem faltam muitos quilómetros na política para conseguir dobrar a dupla mais maquiavélica que alguma vez habitou simultaneamente o Palácio de Belém e o Palácio de São Bento.

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