ONU, abstenções e integridade territorial

Ao longo da Guerra (estamos no dia 222) o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas tem sido objecto de críticas. Na verdade, podemos dizer que tem sido objecto de muitas críticas, mais ainda do que é habitual.

Neste caso em concreto é muito simples: a Federação da Rússia é membro permanente e, por isso, exerce o seu direito de veto.

Na sexta-feira, foi apresentada uma resolução pela Albânia e pelos Estados Unidos relativa à condenação aos "referendos" (com umas belas e enormes aspas) e a anexação de cerca de 15% do território ucraniano por Moscovo.

Sabia-se o resultado desta proposta, mas ainda assim foi decidido avançar. Então porquê?

Em primeiro lugar, para colocar os holofotes (ainda mais) sobre Moscovo. Nas palavras de António Guterres: "qualquer decisão de prosseguir com a anexação das regiões da Ucrânia, Donetsk, Luhansk, Kherson e Zaporizhzhia, não terá valor legal e merece ser condenada."

Em segundo lugar, para tornar as abstenções e os votos contra um custo diplomático em si mesmo.

Parece pouco? Não o é de todo. Votos contra apenas um: o previsível da Rússia. E abstenções? Registaram-se quatro entre as quais as também previsíveis China e Índia.

No entanto, se Vladimir Putin continuar o seu rumo revisionista e, em especial, em matéria nuclear ... parece-me que a abstenção destes dois países será cada vez mais insustentável.

A questão da integridade territorial é sempre importante para todos os estados, mas para a Índia é um tema ainda mais crucial. Basta pensarmos no conflito sobretudo com o Paquistão à volta de Cachemira ou com a China em vários e longos troços da fronteira comum.

Por último, nesta Opinião tenho elogiado muito a qualidade da diplomacia dos EUA liderada pelo Secretário de Estado Antony Blinken.

Hoje o elogio é para a Embaixadora de Washington nas Nações Unidas: Linda Thomas-Greenfield. Uma voz crucial ao longo desta Guerra e que vale a pena seguir com atenção.

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