Os 112 anos de república e os novos momentos de transição

É a república que nos guia, apesar dos muitos elogios recentes à monarquia, quando da morte da Rainha Isabel II. Um regime republicano que é a base de uma democracia que enfrenta, em 2022, novos desafios, com extremismos crescentes, problemas de demografia e de discriminação e frágil coesão social e territorial.

A Implantação da República Portuguesa foi o resultado de uma revolução organizada pelo Partido Republicano Português iniciada no dia 2 de outubro - o dia de hoje, domingo - e vitoriosa na madrugada do dia 5 de outubro de 1910, que destituiu a monarquia constitucional e implantou um regime republicano em Portugal. No próximo dia 5, quarta-feira, assinalam-se os 112 anos desta mudança histórica.

Hoje vivemos novos momentos de transição, Portugal respira uma maioria absoluta legislativa que, pelas sondagens recentes que têm sido publicadas, perde oxigénio, popularidade e já desbaratou o estado de graça com que arrancou. Aliás, começa a ser alvo de contestação social. O país vive num sistema semi-presidencialista que exige equilíbrio permanente e respeito entre órgãos de soberania... até agora, a popularidade do presidente e do primeiro ministro (enquanto líder do Governo) tem sido elevada, mas está em queda , o que não é desejável perante os tempos conturbados que temos pela frente.

Se este mês assinalamos o 5 de outubro, dentro de apenas dois anos estaremos a celebrar os 50 anos da revolução do 25 de abril. Comemorar essa data será o mesmo que assinalar meio século da terceira república. Por isso, devemos aproveitar, desde já, para reflectir sobre a forma como queremos gerir e liderar o país e desenhar o futuro de Portugal. Que desígnios quer a nação e quais aqueles pelos quais, verdadeiramente, o povo está disposto a trabalhar, a lutar?

Se não os soubermos definir, enquanto pais, não teremos o povo comprometido com os órgãos de soberania que representam a República. Todos estamos de acordo que precisamos de maior crescimento, mas enfrentamos o risco de um deslaçar social e de não identificação do povo com as elites políticas e isso pode agravar-se com o aumento dos populismos e dos discursos extremistas que têm tido êxito nalguns países europeus como Itália e Hungria. Afinal, tudo aquilo que não desejamos para a nossa res pública.

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