Senegal–Casamança em Acordo Secreto!

O Presidente (PR) do Senegal, Macky Sall, tenta cumprir uma das promessas para este segundo mandato, uma "paz definitiva" com os separatistas do Movimento das Forças Democráticas de Casamança (MFDC), na fronteira sul com a Guiné-Bissau.

Assinado na quinta-feira 4 em Bissau, o Acordo de Paz entre ambas as partes, Senegal e MFDC, mantém os seus termos secretos e uma fragilidade. Do lado rebelde, foi assinado por César Atoute Badiate, o líder da facção que defende a deposição das armas. Ou seja, a outra facção poderá inviabilizar o presente acordo, mas também significa que o MFDC se encontra fracturado e enfraquecido por dentro, a partir de fora. Forma e caminho aliás clássico, para a sua manipulação e autodestruição.

"Os chacras" alinharam-se para que este momento acontecesse dentro do contexto regional ideal, já que Macky Sall para além de PR do Senegal, também é até Janeiro PR da União Africana e Umaru Sissoko Embaló, PR da Guiné-Bissau, também assume actualmente a presidência da CEDEAO, a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental. Raros têm sido os momentos de alinhamentos quase perfeitos de interesses entre Bissau e Dakar, conjugados com os de Lisboa e Paris. Este é um deles, nos últimos 40 anos, relativamente a este "irritante oeste-africano"!

O Mali numa camisa-de-forças!

O Mali vai respondendo como pode áquilo que vai considerando de provocação francesa/europeia/ocidental, à sua soberania. Sufocada económica e financeiramente desde Agosto de 2020, data do golpe que colocou a Junta Militar e o Coronel Assimi Goita no lugar do ex-PR Ibrahim Boubakar Keita (1945-2022), os malianos passaram a respirar melhor desde a última Cimeira da CEDEAO em Acra, a 3 de Julho, na qual viu suspensas as sanções que lhes proibiam importar, exportar, fazer e receber transferências bancárias.

Após a vitória de Acra, a Junta Militar não baixa a guarda e humilha aqueles que no 3 de Julho insistiram em manter-lhes as sanções. Por isso mesmo, uma semana depois, a 10 de Julho, detêm 49 militares costa-marfinenses, acabados de aterrar em Bamako, acusando-os de terem planos para provocarem o "reviralho" no país. A actualização e reforço desta postura, viu evolução na semana passada, em resposta ao périplo africano do PR francês, Emmanuel Macron, que começou nos Camarões, passou pelo Benim e terminou em Bissau, precisamente porque é o PR Sissoko Embaló, enquanto PR da

CEDEAO que gere o dossiê dos "três golpistas oeste-africanos". Mali, Burkina Faso e República da Guiné (Conakri). Em resposta a esta "provocação" do ex-colonizador, recentemente substituído na influência de Bamako pelos russos, a Junta Militar deu 72h para todos os militares estrangeiros com base no Aeroporto de Bamako e que servem na logística todos os outros com base na capital, incluindo os das Nações Unidas, saírem do país. Há um desespero lógico neste comportamento, já que perante as "ruas estreitas" pelas quais a Junta tem encaminhado o país, esta precisa de demonstrar capacidade de resposta e opções. Esta "camisa-de-forças" que não permite movimentos amplos, irá obrigar cada vez mais estes actores a apostarem intuitivamente na espada, cada vez que forem colocados "entre a espada e a parede"!

A Acontecer / A Acompanhar

No Kansas, a 22 de Agosto, lançamento do livro The Invention of The Maghreb. Between Africa and The Middle East, de Majid Hannoum, às 15h, na Universidade do Kansas.

Raúl M. Braga Pires é autor do site Maghreb-Machrek, é Politólogo/Arabista e escreve de acordo com a antiga ortografia

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