A partir do livro" Memorial do Convento", a companhia Trigo Limpo ACERT Tondela estreia em Lisboa "A
José Saramago

"A Passarola" começa a voar em Lisboa

A partir do livro "Memorial do Convento", a companhia Trigo Limpo ACERT Tondela estreia em Lisboa a adaptação do romance de José Saramago.

O desafio partiu de Pilar del Rio. " Cá estamos ", responde Pompeu José, o encenador do espetáculo que agora sai para a rua com "a máquina de andar no ar." A máquina é grande, ou não estivéssemos a falar da Passarola inventada pelo padre Bartolomeu Gusmão, o homem que a história guarda como "o padre voador" e que José Saramago trouxe para a ficção no romance em que cruza os caminhos do padre visionário com Baltazar Sete-sóis e Blimunda Sete-luas .

A viagem começa folheando as páginas do Memorial do Convento, mas contar a história desta adaptação para teatro comunitário de rua obriga a recuar quase uma década, com outro livro na bagagem: "Em 2013 tivemos a coragem de pedir à Fundação Saramago autorização para fazer "A Viagem do Elefante", uma adaptação também de rua com participação comunitária e quando estreámos em Figueira de Castelo Rodrigo, Pilar del Rio veio ter connosco" , conta Pompeu José, que guardou os elogios feitos ao trabalho e o novo desafio lançado no mesmo instante : "o que era bonito", disse então Pilar, "era vocês conseguirem, daqui a uns tempos pôr a Passarola a voar aí pelo país fora." E cá estão.

"Vamos estar com 55 pessoas em cena, dez atores da companhia, cinco músicos e 38 participantes locais aqui de Lisboa. Nós trazemos os figurinos, a música, um aparato que quase parece um concerto com luzes e som e depois integramos as pessoas e o espetáculo é nosso", descreve Pompeu José que partilha a dramaturgia com Raquel Costa, chamando para as oficinas de interpretação a comunidade local e integrando estes atores voluntários no texto e no espírito da adaptação teatral inspirada no romance Memorial do Convento : "O que é bonito é conseguirmos criar isto e não termos chegado aqui como paraquedistas. Viver cinco dias aqui com as pessoas, comer, falar, estar. É o nosso exercício como artistas, uma aprendizagem contínua , nesse registo da nossa humildade."

Durante uma hora e meia o espetáculo é todo um romance explica à TSF Pompeu José "começa com a primeira cena do romance e termina com a última cena do romance e não altera nada ao texto, apenas espreme e faz uma narrativa mais reduzida daquela história, de alguém que sonha voar e vai concretizar esse projeto, em paralelo com a construção do Convento de Mafra, promessa de Dom João V se tivesse um filho, durante o tempo da Inquisição em Portugal."

A parceria Trigo Limpo teatro ACERT com a Fundação José Saramago traz "A Passarola" ao ciclo da EGEAC Lisboa na Rua, para o Largo com o nome do escritor, em frente à Casa dos Bicos. Dia 3 de setembro, às 21h30

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