Ainda temos tempo para ler José Saramago?

"Uma comédia, um concerto encenado ou uma homenagem, com músicas tocadas ao vivo, a partir da leitura de "O Homem Duplicado", assim se apresenta o novo espectáculo da Trimagisto, cooperativa cultural de Montemor-o-Novo. É o terceiro trabalho construído a partir da obra de José Saramago, sobre a "ausência de tempo".

"Começa com um ensaio, em que o Carlos está a passar músicas ao Pedro" - Este é o ponto de partida do espectáculo "Em duplicado", criado a partir do livro de José Saramago, "O Homem Duplicado".

Carlos Marques é actor, músico e contador de histórias. Pedro Luzindro é o seu duplo, nesta comédia, que junta música, teatro e stand-up comedy, descreve Carlos Marques, apaixonado confesso da obra de José Saramago. "Assumidamente de esquerda", Carlos confessa que nem gostava de ler, quando era jovem. Até descobrir Saramago, que leu "de enfiada". O livro "Levantado do Chão" foi uma revelação, já que se passa no Alentejo, em Lavre e Montemor-o-Novo, onde Carlos tem raízes. "Foi uau!", recorda Carlos, que exibe com orgulho, o velho exemplar enrugado, cheio de notas, dobras e sublinhados do "Levantado do Chão". "Já devo ter lido umas dez vezes, de frente para trás, de trás para a frente".

Da luta do povo em Lavre, a cooperativa cultural Trimagisto, com sede em Montemor-o-Novo, criou um percurso auditivo que acompanha o Roteiro Literário Levantado do Chão e o espectáculo "Levantei-me do Chão".

Carlos Marques continuou "o saramaguês" com a obra "No dia seguinte ninguém morreu", a partir d'"As Intermitências da Morte" e o terceiro espectáculo, "Em Duplicado", começa agora a ser rodado pelo país. "É uma comédia em que há um concerto com cinco músicas: meia hora de música, meia hora de teatro, com um registo de stand-up comedy" sobre a ausência de tempo.

"O Homem Duplicado foi um livro que me custou muito ler, por causa do tempo", recorda Carlos. "Andamos a correr e o tempo de leitura pede calma e reflexão". O prazer de ler não existe, quando o tempo está a "fugir-nos da mão". No "Em Duplicado", Carlos e Pedro substituem-se, porque não têm tempo. Trocam de filha, mulher e carro, até perceberem que "afinal, são o mesmo", levando-nos a interrogar "quantos duplos de nós existem?"

A Trimagisto procura levar os espectáculos a escolas e palcos menos conhecidos, procurando captar jovens e novos públicos.
O concerto encenado "Em Duplicado" sobe ao palco esta quarta-feira, dia do centenário de José Saramago, no teatro Miguel Franco, em Leiria.

Até ao final do ano, vai ainda passar por Tavira e Setúbal. Depois, Carlos Marques quer fazer uma "pausazinha" dos livros do Nobel português, mas na mesa de cabeceira, tem agora "A Caverna" e ainda não leu "O Ano da Morte de Ricardo Reis". Porque para ele, é "Saramago forever!"

A autora não segue as normas do novo Acordo Ortográfico

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