FINTA de volta a Tondela. Festival apresenta cinco espetáculos de teatro

O FINTA - Festival Internacional de Teatro da ACERT está de regresso a Tondela. A edição XXVII do evento arranca esta terça-feira e estende-se até sábado. São cinco dias, com muito teatro para ver.

Depois de uma pausa imposta pela pandemia, o FINTA - Festival Internacional de Teatro da ACERT está de regresso a Tondela. A 27.ª edição do evento arranca esta noite, apresentando um total de cinco peças e um espetáculo de novo circo.

"Estávamos mortinhos para que isto acontecesse", confidencia à TSF José Rui Martins, da direção da Associação Cultural e Recreativa de Tondela. "A situação evoluiu positivamente e permitiu-nos fazer [o evento]. Este é um ano especial para a ACERT, são 45 anos deste projeto e, portanto, este FINTA tem um sabor especial", acrescenta.

Alguns espetáculos a apresentar estavam agendados para a edição do ano passado. José Rui Martins salienta que "a programação de 2021 reflete" a relação que a ACERT estabeleceu com as companhias para que não ficassem sem apoios durante a pandemia.

O FINTA arranca já esta noite com o espetáculo do Teatro Nacional D. Maria II, "Pranto de Maria Parda". Até sábado serão apresentados seis espetáculos por parte de outras tantas companhias, duas delas são espanholas e uma é oriunda do Brasil.

"É a grande festa do teatro da ACERT anual. Nós pretendemos sempre que o FINTA seja um festival com diferentes estéticas, abordagens teatrais e, portanto, o nosso público vai-se habituando a um FINTA multicolor sob o ponto de vista das narrativas teatrais, das abordagens", refere.

O Trigo Limpo Teatro ACERT, a companhia da casa, estreia esta quarta-feira, uma nova peça, no feminino. Ao espetáculo foi dado o título de ELA, um pronome pessoal, que é também a sigla da doença Esclerose Lateral Amiotrófica.

"São três atrizes que fazem o espetáculo, são três personagens femininas que entram na história: uma bailarina, a sua mulher, escritora, e uma amiga comum, médica. É um trio que é quase um triângulo nesta história", revela o encenador Pompeu José, sublinhando que o texto, dramático, "está muito bem escrito e tem um peso, o da doença."

"A bailarina começa a ter sintomas do ELA e começa a não se conseguir mexer. Tem uma força depois a situação de ser um casal do mesmo sexo, que tem os mesmos problemas de um casal de sexos diferentes, porque é a questão do não querer que o outro sofra e muitas vezes queremos que se afaste da nossa vida para que não entre no sofrimento", desvenda.

O texto é da autoria da dramaturga brasileira Marcia Zanelatto, que vai estar no FINTA. A adaptação demorou dois anos.

"Está muito bem escrito. O ponto de partida do texto foi fabuloso porque a Marcia [Zanelatto] escreveu aquilo que, presumivelmente, se passa na cabeça do doente porque a doença o que faz é que a pessoa fica imobilizada, não consegue sequer falar, mas o raciocínio está incólume", frisa ainda Pompeu José.

Pelo palco da ACERT vão ainda passar os espetáculos Hamlet Cancelado, Loops e Ovvio.

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