Traje verde que homenageou rainha brilha nas festas da Senhora d'Agonia

Bordadeira de 25 anos é a Mordoma da Romaria de Viana do Castelo, que decorre de quarta-feira até domingo. Traja um fato idêntico ao apresentado a D. Maria II em 1852 pelas raparigas de Geraz.

A cor verde reinará este ano nas festas de Viana do Castelo. A romaria de Nossa Senhora d'Agonia, que começa na quarta-feira e termina no domingo, tem como Mordoma Maria Lima, uma jovem bordadeira de 25 anos que enverga um traje verde idêntico ao que usaram as raparigas das terras de Geraz, em 1852, para homenagear a rainha D. Maria II. E que contraria a ideia de que o fato de lavradeira de Viana é única e exclusivamente vermelho. Também os há em verde, azul (em vários tons) e pretos, adornados com lenços das mais distintas cores, das escuras às mais garridas, como amarelo e laranja.

"Houve muitos comentários de pessoas que dizem que o traje de Viana é o vermelho e o preto, e não o verde", conta Maria Lima, que está por estes dias a concretizar o velho sonho de criança de ser Mordoma d'Agonia. Deu rosto ao cartaz da festa e estará no centro das atenções ao desfilar nos vários eventos da romaria, trajada de verde. Não há, por isso, crítica que a faça baixar a cabeça adornada com lenço verde.

"As críticas têm mais a ver com o traje, por não ser uma cor predominante em Viana, mas as pessoas da terra [Geraz] estão bastantes felizes por ser o nosso traje a representar as festas d'Agonia este ano. Nunca se vai agradar a gregos e a troianos, já estava à espera de comentários negativos, mas os positivos acabam por compensar", refere.

Maria Lima sabe que não vai desfilar um fato qualquer. Foi usado numa receção à rainha D. Maria II no século XIX. "A cor da Casa de Bragança, a que pertencia a rainha, era o verde e então na visita a Viana do Castelo, quando ela veio a Geraz visitar a casa brasonada de um dos seus ministros, as raparigas trajaram de verde para lhe fazerem uma homenagem", conta a Mordoma.

Azul, escuro (traje de Dó) ou o 'azulão' usado em terras como Dem, na Serra d'Arga, e preto, também caracterizam as antigas vestes das raparigas das aldeias, que em pleno século XXI são (cada vez mais) exibidas orgulhosamente por mulheres de todas as idades durante as festas da cidade de Viana.

A cor é aliás o que marca o traje de cada terra. As diferentes freguesias usam pormenores como lenços, barra da saia e aventais para se diferenciarem. Afife é um caso. Usa fato vermelho, mas distingue-se pelo lenço de cabeça amarelo canário.

"Acho que toda a gente devia vir às festas d'Agonia e ver a Mordomia. É uma montra para quem quiser saber sobre os trajes e de onde são", resume Rosa Caetano, uma espécie de "consultora" dos fatos tradicionais de Viana do Castelo. Com 78 anos, há 66 que ajuda mulheres a bem trajar e já lhe passaram pelas mãos muitas mordomas.

Quando Amália Rodrigues foi "madrinha" das festas, costurou um saiote para a fadista usar por baixo do traje. Rosa percebe tudo sobre as cores dos fatos. "A maioria das freguesias usa o vermelho. Há o azul (escuro) que era usado pela moça quando o marido ia para fora. Para não usar vermelho usava esse, que é o de Dó. Mais para a montanha, usam o 'azulão' e em Geraz do Lima é verde por causa da visita da rainha", conta, referindo ainda o traje de Areosa, que é "o vermelho dos vermelhos", desde o lenço até à barra da saia.

A partir de amanhã todos sairão dos baús para desfilar pelas ruas de Viana do Castelo.

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