Ano louco nas licenças de carbono faz aumentar os preços da gasolina e eletricidade

As empresas mais poluentes estão a pagar cada vez mais por lançarem dióxido de carbono na atmosfera, mas quem paga é o consumidor.

As fábricas não mexem nas suas margens de lucro e assim os preços aumentam porque cresce a despesa com as licenças de emissão, isso mesmo tem sido observado no mercado da energia com os preços internacionais da eletricidade na Europa a aumentaram em paralelo com os custos das licenças de emissão de CO2, um Leilão em setembro chegou mesmo aos 65 euros por tonelada.

No caso do mercado dos combustíveis, a Galp pagou até setembro de 2021 cerca de 45 milhões de euros em "custos relativos às emissões de dióxido de carbono" o que é mais do dobro daquilo que pagou em igual período do ano passado, em que desembolsou 21 milhões de euros.

Mês a mês os valores de licitação atingem máximos históricos e só em outubro a tendência revelou uma quebra em relação ao mês anterior (setembro).

Em outubro o preço médio de tonelada de CO2 atingiu 59,51 euros (menos 2,8% do que em setembro). Mas, em outubro, houve mesmo dois leilões a passarem a barreira dos 63 euros por tonelada de Dióxido de Carbono (CO2).

Mas o máximo tivemos no dia 28 de setembro quando o preço chegou aos 64,99 euros, mês em que a média chegou aos 61,23 euros.

Depois de no ano passado (2020) terem sido realizados vários leilões na ordem dos 16 euros, este ano o preço mínimo por tonelada foi de 33 euros (em janeiro).

O especialista em mercado de carbono, Pedro Barata, da consultora get2c (get2c.pt) adianta que este mercado de carbono europeu envolve 12 mil empresas de todos os Estados-membros, são empresas emissoras de carbono que negoceiam umas com as outras através de uma plataforma de leilões as licenças que têm em carteira.

"Funciona como um mercado de valores". A partir de uma plataforma sediada em Leipzig "há uma bolsa onde uma empresa coloca uma ordem de compra por precisar aumentar as suas emissões e algures há uma empresa que pode colocar uma ordem de venda", explica Pedro Barata.

Há um teto global para as emissões de todas as empresas presentes neste mercado e "esse teto não é violável porque é auditado pelas autoridades nacionais e se uma empresa emitir mais do aquilo que está licenciada as penalizações seriam proibitivas"

Numa primeira fase deste mercado o preço rondava os sete euros por tonelada devido a um elevado número de licenças, mas a Europa cortou o número de licenças disponíveis por ano e isso vai continuar a acontecer pelo que não será de estranhar que o preço por tonelada possa chegar aos cem euros.

De acordo com Pedro Barata, "neste momento o que existe é alguma perspetiva de que até ao final da década se atingiam esses valores mas isso depende de imensas variáveis. Por um lado, a ideia e a expectativa é que estas restrições nas emissões de carbono vão continuar, ou seja, nós sabemos que temos que ir mais longe em termos de redução de emissões e a expectativa de longo prazo de que a economia europeia vai recuperar da crise da pandemia".

Estão também a caminho novas regras europeias, ainda em debate político, que podem levar à redução de 55% das emissões em 2030, em vez dos atuais 40%.

Por outro lado, estuda-se a extensão do mercado de carbono a outros setores poluentes: "No caso do transporte rodoviário, carros e transportes de mercadorias, o que a Comissão Europeia agora está a propor é um sistema paralelo, um mercado de emissões com a obrigação de redução de emissões."

Assim, a partir de 2025 está previsto que podem passar a existir dois mercados, um para o setor rodoviário e construção e outro para o setor industrial e produção de energia.

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