BdP esperava que injeções de capital no Novo Banco não ultrapassem os 1500 milhões de euros

Consultor do Banco de Portugal para a venda do Novo Banco experava 1.500 milhões "se tudo corresse mal".

Sérgio Monteiro, consultor para a venda do Novo Banco, afirmou esta terça-feira que não era expectável que a totalidade do mecanismo de capital contingente fosse utilizada, sendo esperado que as perdas fossem pouco superiores a 1.500 milhões de euros.

O consultor do Banco de Portugal (BdP) para a venda do Novo Banco está esta terça-feira a ser ouvido na Comissão Eventual de Inquérito Parlamentar às perdas registadas pelo Novo Banco e imputadas ao Fundo de Resolução, tendo sido questionado pela deputada do BE Mariana Mortágua sobre qual era a previsão de uso do Acordo de Capital Contingente (CCA) aquando das negociações para a venda do banco.

"Os cenários de previsão de utilização do CCA iam do zero ao extremo. Era sempre possível admitir, mesmo com probabilidade baixa, que todo o mecanismo de capital contingente fosse utilizado. A expectativa central naquela altura era que as perdas dos ativos que faziam parte do mecanismo de capital contingente fossem um pouco superiores a 1.500 milhões de euros de perda", admitiu.

De acordo com Sérgio Monteiro, "se tudo corresse mal do ponto de vista de capital, essa era a utilização máxima porque mesmo que houvesse muitas necessidades de capital, se não houvesse perdas nos ativos do mecanismo, nunca poderia ser chamado mais do que esse valor".

"Não era expectável, mesmo com perdas de um pouco mais de 1.500 milhões de euros, que a totalidade fosse utilizada", assegurou

Questionado pela deputada do BE sobre se lhe foram dadas instruções para que a venda não tivesse impacto orçamental no momento em que ocorreu, o consultor referiu que "a orientação geral" no início do processo era que se tentasse, "na medida do possível, que não tivesse impacto orçamental nem quando a venda ocorreu, nem mais tarde".

"Não é o processo de venda que origina perdas. O processo de venda descobre problemas no balanço que ficam evidentes com as propostas que são recebidas. As perdas tinham origem em decisões anteriores até à criação do Novo Banco", assegurou o também antigo secretário de Estado das Infraestruturas, Transportes e Comunicações do Governo de Passos Coelho.

O consultor foi ainda confrontado pela deputada Mariana Mortágua sobre as declarações do primeiro-ministro, António Costa, no momento da venda do banco, que disse que esta alienação não teria "impacto direto ou indireto nas contas públicas", e questionado sobre se o "Governo estava ciente e consciente que este mecanismo teria um impacto nas contas públicas".

"Que o mecanismo uma vez utilizado tinha impacto nas contas públicas, julgo que sim, era obviamente consciência de todos que poderia ter impacto no ano em que fosse utilizado", admitiu, deixando claro que este mecanismo "era muito melhor do que uma garantia" e que foi "considerado muito positivamente pelas autoridades estatísticas e europeias".

Recomendadas

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de