"É urgente a intervenção do Governo." Confederação do Turismo quer requisição civil na Groundforce

Sem acordo é "urgente" evitar nova greve no final de julho e nos primeiros dias de agosto. "Alguém já teve o trabalho de calcular os custos de tantos voos cancelados?"

A Confederação do Turismo de Portugal defende que é completamente inaceitável a situação que se tem vivido este fim de semana nos aeroportos nacionais por causa da greve na Groundforce.

Entre este domingo e sábado já foram cancelados cerca de 600 voos, sobretudo em Lisboa, e mais devem ficar em terra até ao fim de domingo.

O presidente da confederação, Francisco Calheiros, diz à TSF que é urgente que trabalhadores e administração da empresa que trata das bagagens cheguem a acordo, a tempo da nova greve prevista para o fim do mês. Caso contrário, o Governo deve avançar para a requisição civil.

"Não podemos, de maneira nenhuma, vir a ter mais mil voos cancelados em 31 de julho e 1 e 2 de agosto. O direito à greve está constitucionalmente previsto, mas isso não pode prejudicar milhares e milhares de pessoas e prejudicar como está a prejudicar a imagem do país. Sou apologista de qualquer medida que evite que se venha a repetir algo que já vai dar uma imagem muito negativa de Portugal. Se necessário for uma requisição civil, que seja feita", defende Francisco Calheiros.

A Confederação do Turismo de Portugal recorda os efeitos negativos da pandemia no setor e o conflito que existe, sem solução à vista, entre a TAP e a Groundforce.

"A Groundforce diz que a TAP deve dinheiro à empresa e a TAP diz que esses montantes não são devidos. Estamos num impasse e é urgente - para ontem - que o Governo intervenha", refere.

O representante do turismo avisa que governar é tomar decisões em momentos difíceis e este é claramente o caso.

"A TAP é uma empresa pública, faz parte do Governo, e além do mais em situações de urgência, como esta é, pode ser utilizada a requisição civil. Aquilo que não é aceitável é termos 600 voos cancelados... Alguém já teve o trabalho de calcular os custos de tantos voos cancelados? Os custos em testes que se fizeram? As indemnizações que se vão ter de dar? Se pusermos 150 pessoas em cada voo, as 10 mil pessoas que deixaram de viajar, de vir para cá e de consumir em Portugal? E, sobretudo, qual é a imagem que estamos a transmitir do nosso país?", conclui o presidente da Confederação do Turismo de Portugal.

Do lado do sindicato não há qualquer número ou percentagem, mas André Teives fala numa forte participação em todo o país neste segundo dia de greve.

"Continua a haver uma fortíssima adesão à greve em Lisboa e está a haver um aumento de adesão à greve, desde este domingo de manhã, no Porto e também no aeroporto da Madeira. Deste ponto de vista estamos mais do que satisfeitos, os trabalhadores da Groundforce demonstraram bem a sua indignação e que não toleram mais esta situação de instabilidade permanente ao final do mês", explicou à TSF André Teives.

Sobre a possibilidade de recorrer a uma requisição civil, André Teives afirma que é uma medida legal que cabe apenas ao Governo.

"Julgo que o Governo deveria canalizar as suas energias para resolver este problema, uma vez que isto resolve-se com quatro ou cinco milhões de euros. Pergunto qual é o prejuízo que foi infligido pelas consequências da nossa ação nestes dois dias, muito acima daquilo que é necessário para resolver o problema. A questão é que o senhor ministro das Infraestruturas está numa guerra pessoal, mas não é com o dinheiro dele, é com o dinheiro dos portugueses todos", acrescentou o representante do Sindicato dos Técnicos de Handling de Aeroportos (STHA).

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