Impasses nas negociações da TAP são normais. Trabalhadores querem que "sacrifícios" acabem em 2025

Os sindicatos envolvidos nas negociações de alterações laborais para reestruturar a TAP compreendem o impasse de muitos trabalhadores e exortam o Governo a acabar com os "sacrifícios" no prazo estipulado.

A Comissão de Trabalhadores da TAP espera que o sacrifício que está a ser pedido aos trabalhadores seja compensado. Ouvida no Fórum TSF, Cristina Carrilho, coordenadora da comissão, disse ter a perspetiva de que, no fim dos "sacrifícios pedidos aos trabalhadores", em 2025, "a empresa tenha recuperado o seu negócio e a sua posição, que esteja numa boa posição financeira" e que "todas as restrições acabem".

Tendo em conta os "sacrifícios" que foram pedidos aos trabalhadores, a comissão considera normais as dúvidas dos sindicatos que ainda não assinaram o acordo de emergência. Cristina Carrilho acredita que as reservas manifestadas não vão comprometer a salvação da empresa. "Se a não-aceitação dos acordos vai impactar a situação da empresa? Não creio que vá, porque, como se sabe, a administração e o Governo estão prontos para aplicar um regime sucedâneo a esses trabalhadores cujos acordos foram ratificados", considera a representante.

O Sindicato dos Trabalhadores da Aviação e Aeroportos, que já assinou o acordo de emergência, encara também com naturalidade as dúvidas dos dois sindicatos que estão a bloquear as negociações.

José Sousa, presidente do Sitava, admite que o documento é de uma "enorme violência" para os trabalhadores. "Nós, sindicatos e sindicalistas, compreendemos sempre as reservas que os trabalhadores colocam, porque não podemos esquecer que todos estes acordos de emergência que foram assinados são extremamente penosos e violentos para os trabalhadores", enfatiza. O presidente do sindicato considera necessário garantir que "o investimento público na TAP tem retorno, não só através de resultados da empresa, como a nível da economia nacional".

O presidente do Sitava não tem dúvidas da importância do contributo da companhia aérea para o setor do turismo, que tem o peso de quase 15% no PIB português. Na perspetiva de José Sousa, a aposta conduzirá a um retorno garantido para o Estado. "Os sacrifícios valem sempre a pena, porque são assumidos com muita consciência de que a crise que hoje vivemos é provocada pela pandemia e não por qualquer desequilíbrio estrutural que a companhia tenha", argumenta.

No entanto, José Sousa faz um aviso: "As administrações e as entidades patronais não podem agora, à boleia da pandemia, recolocar as condições de trabalho ao nível das do século passado."

O Sindicato dos Técnicos de Manutenção de Aeronaves espera que a reestruturação da TAP avance por fim. Paulo Manso, presidente do sindicato, diz querer "que, de uma vez por todas, seja aproveitada esta oportunidade" para que a TAP seja reabilitada e colocada "no rumo certo".

"Nós, trabalhadores da TAP, somos os mais interessados em que a TAP não venha para a opinião pública por estes motivos, mas por aquilo que ela é enquanto empresa e representa para o país."

Sobre a promessa de reforço da operação da TAP no Porto, firmada na terça-feira pela administração da empresa no Parlamento, o Nuno Botelho, presidente da Associação Comercial do Porto tem muitas dúvidas. "Há muitos anos percebemos que a TAP é uma empresa, não só falida, como que, há muitos anos, não presta serviço público", atira. Nuno Botelho ilustra a crítica com o exemplo do voo de repatriamento de portugueses retidos no Brasil.

"Há um serviço público prestado pela TAP, de facto, no aeroporto de Lisboa. Foi sempre essa a aposta, mas eu vejo sempre com muito ceticismo estas declarações de boa vontade do presidente da administração da TAP." Para o presidente da Associação Comercial do Porto, da manifestação de "boas" intenções à prática "vai uma grande distância".

António Pina, autarca de Olhão e presidente da Associação de Municípios do Algarve, diz-se satisfeito com a intenção da empresa em reforçar o investimento na região, "fruto do trabalho" que têm vindo a fazer.

"Persistimos nesta ideia de que, se a TAP é para ser paga por todos os portugueses porque faz sentido, é preciso que depois todos também percebam ou sintam que a TAP beneficia todos os portugueses", sustenta António Pina, que também lamenta: "No aeroporto de Faro eram, e ainda são, inexistentes as ligações para o resto da Europa."

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