Se Portugal falhar meta da poupança de energia, "o que hoje é voluntário passa a ser obrigatório"

Direção-Geral de Energia e Geologia vai enviar dados da poupança de energia para Bruxelas a cada três meses.

Representantes da indústria, do comércio e de municípios são algumas das associações que vão assinar pactos setoriais com o governo para assumirem a sua fatia no Plano de Poupança de Energia, apresentado dia 27 de setembro. À TSF, o presidente da ADENE - Agência para a Energia explica que se não forem atingidos os objetivos de Bruxelas, muitas das medidas, hoje de cariz voluntário, "vão passar a ser obrigatórias".

É o autor do Plano de Poupança de Energia que vai fiscalizar se chega ou não para atingir os 15% estipulados por Bruxelas como meta voluntária aceite pelos estados-membros.

"Todos os meses faremos um relatório ao Governo e, por sua vez, todos os trimestres, a Direção-Geral de Energia e Geologia envia os dados para Bruxelas", explica à TSF Nelson Lage, o presidente da ADENE, a Agência para a Energia. E garante que os parâmetros são os mesmos para todos os países, pelo que não é possível maquilhar os números.

Assim, a ADENE vai "medir" a poupança a partir dos dados fornecidos por todos os setores que ajudaram a fazer o plano e que prometem respeitar as metas de poupança, com destaque para as autarquias. "Algumas até já começaram e acabarão por ir muito além deste plano", elogia Nelson ​​​​​​​Lage.

Os estados-membros aceitaram, para já, uma meta de 15% até meados do ano que vem. Portugal resistiu, mas acabou por alinhar na estratégia voluntária, com o compromisso de que - caso passe a ser obrigatória - essa meta ficará nos 7%.

O presidente da ADENE faz contas em voz alta: "Só com o Plano de Poupança de Energia contamos poupar 3% este ano e mais 5% até ao final de 2023, mas se tivermos em conta todas as medidas em curso, a expectativa é ir além da meta da Comissão Europeia", ou seja, 17% no final do ano que vem.

Por agora, o plano está assente na base da voluntarismo e da sensibilidade de cada um que se desenham as estratégias.

"Das 16 medidas globais do plano, só oito são obrigatórias, todas para a administração central", lembra Nelson Lage, sublinhando que tudo pode mudar caso as poupanças voluntárias não cheguem: "Caso seja decretada crise energética, o que hoje é voluntário passa a ser obrigatório e, naturalmente, plano será revisto."

Alqueva a salvo da ordem do Governo... Mas inverno será determinante

A barragem de Alqueva, no Alentejo, está para já a salvo da ordem do Governo para suspender todos os usos da água que não para consumo humano a partir de 1 de outubro, mas se não chover o caso muda de figura. O Alqueva é uma das 15 barragens obrigadas a criar uma reserva mínima de água para produzir eletricidade, perante a ameaça de cortes no gás natural russo.

À TSF, José Pedro Salema, presidente da EDIA, empresa de desenvolvimento do Alqueva, admite que pode ter de tomar uma decisão difícil se a guerra na Ucrânia se mantiver e se chover pouco este inverno. "Aguardamos pelos cálculos da APA [Agência Portuguesa do Ambiente], que terá de o fazer nos próximos 20 dias, mas, de acordo com a nossa análise, estamos acima do cenário mínimo recomendado pela resolução do Conselho de Ministros. Mas, se tivermos um inverno muito seco, de facto, podemos ser confrontados com uma decisão difícil: se queremos água ou energia", antecipa o responsável.

Se essa for a decisão, acrescenta, "vamos pôr em causa o abastecimento agrícola para produzir energia, mas penso que não vamos lá chegar". "Acredito que não vamos ter de tomar essa decisão", atira.

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