Agricultores só têm ajudas "da providência divina quando chove", diz Nuno Melo

O presidente do CDS acusa o Governo de dar ajudas "completamente insuficientes" aos agricultores, que vivem uma situação desesperada.

O presidente do CDS-PP, Nuno Melo, acusou este sábado o Governo PS de propagandear ajudas insuficientes para os agricultores, que vivem uma situação desesperada, mas as únicas que têm "foram as da providência divina quando chove".

"Os agricultores portugueses vivem hoje uma situação absolutamente desesperada. Há neste momento agricultores que não conseguem retirar um salário da sua atividade por causa do contexto da economia de guerra, do aumento exponencial dos custos de produção", disse Nuno Melo aos jornalistas, em Beja, durante uma visita à feira agropecuária Ovibeja.

E, neste contexto, "aquilo que o Governo faz em termos de reserva de crise, propagandeado como ajuda, sendo obviamente ajuda, é completamente insuficiente, criticou.

Em relação às ajudas devido à seca, acusou, "estão a ser anunciadas, propagandeadas há meses, mas até agora as únicas ajudas que os agricultores tiveram foram as da providência divina quando chove".

Segundo o líder dos centristas, "seria importante que mais do que propagandear ajudas, que dão votos, como se viu nas últimas eleições, essas ajudas fossem concretizadas, porque há agricultores que sofrem muito todos os dias e que só mantêm as produções ainda a funcionar por manifesto esforço de resiliência".

"Até às últimas eleições não tivemos Ministério da Agricultura, tivemos basicamente Ministério do Ambiente, quem mandava na agricultura era a pasta do Ambiente", disse, lamentando que "continuamos a ter anúncios que não são concretizados em ajudas e agricultores que sofrem, porque não têm realmente condições neste momento, em contexto de guerra, para sobreviver".

Nuno Melo fez questão de dar exemplos como "termo de comparação" para se perceber "o que sucede em Portugal e o que sucede aqui do lado em Espanha" em termos da reserva de crise.

"Os agricultores portugueses pagam o gasóleo muito mais caro do que pagam os agricultores espanhóis", mas, tendo em conta "a dimensão da ajuda" em termos da reserva de crise, os portugueses recebem "por ovelha uma ajuda de 1,3 euros contra 7,3 euros em Espanha".

Em relação a vacas não leiteiras, "estamos a falar de uma ajuda de sete euros para Portugal contra 40 euros em Espanha", notou.

"Isto é simplesmente inadmissível, porque, na comparação, ajuda a perceber de que forma os agricultores portugueses têm desvantagens competitivas terríveis num mercado que é global e os espanhóis são alguns dos nossos principais concorrentes", lamentou.

Nuno Melo disse que o CDS-PP tem "por regra" apontar soluções quando identifica um problema e, neste caso, "há soluções, mas mais do que propagandear a medida, devia o Governo pensar na solução que passa por em Bruxelas reclamar transferências do segundo pilar".

"Essa autorização de Bruxelas no contexto de guerra é mais do que lógica", defendeu, referindo que já interpelou "a Comissão Europeia no sentido de, no caso português, por causa desta disparidade das ajudas, verbas do segundo pilar poderem ser transferidas para que o agricultor português não seja um filho de um deus menor e possa ser tratado em regime de igualdade com outros agricultores, principalmente quando o contexto é de guerra".

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