André Silva deixa liderança do PAN: "As pessoas não se devem eternizar nos cargos"

O líder do PAN deixa também o lugar na Assembleia da República em junho. Foi o primeiro deputado eleito pelo partido em 2015. Agora quer "apanhar o comboio da paternidade".

Há uma renovação à vista na liderança do PAN. André Silva está de saída e comunicou aos militantes do partido que pretende deixar, em junho, tanto a liderança do PAN como o lugar no Parlamento, sendo substituído por Nelson Silva, o terceiro nome na lista por Lisboa e membro da Comissão Política Nacional do PAN.

"Vou-me embora tendo presente o patamar de notoriedade atingido pelo partido, bem como as aptidões de ação política e de disputa eleitoral autónoma que adquiriu nos últimos anos. Por tudo isto e por toda a mudança que quero que tenha lugar na minha vida, resolvi também renunciar ao mandato de deputado à Assembleia da República, com efeito na data de realização do nosso congresso no mês de junho, cumprindo assim meia legislatura e fechando um ciclo pessoal e da vida do partido", explica André Silva, na carta enviada aos militantes, citada pelo jornal Público e, entretanto, publicada nas redes sociais.

"Além de pretender equilibrar a minha vida pessoal e familiar com a vida profissional, carrego a forte convicção de que numa democracia saudável as pessoas não devem eternizar-se nos cargos, devendo dar oportunidade a outras. Ou seja, como muitos sabem, defendo a limitação de todos os mandatos políticos", explica o primeiro deputado que o PAN conseguiu eleger, em 2015.

O ainda porta-voz do PAN - Pessoas, Animais, Natureza explica que, depois de seis anos no Parlamento, pretende "apanhar o comboio da paternidade", "equilibrar a vida pessoal e familiar com a vida profissional". André Silva é formado em Engenharia Civil, tendo-se especializado em recuperação do património arquitetónico e artístico.

"As pessoas não devem eternizar-se nos cargos, devendo dar oportunidade a outras", defende o ainda deputado que entrou no PAN em 2012 e é porta-voz nacional do partido desde outubro de 2014.

O PAN tem congresso marcado para o início de junho e será esse o momento para a mudança na liderança: "Vou-me embora tendo presente o patamar de notoriedade atingido pelo partido, bem como as aptidões de ação política e de disputa eleitoral autónoma que adquiriu nos últimos anos", justifica André Silva.

"Conseguimos marcar a agenda política e forçar o país a debater assuntos incómodos e controversos, deixando claro que, para nós, e doa a quem doer, não existem setores intocáveis, sejam eles a tauromaquia, o baronato da caça, a agropecuária intensiva, e tantos outros setores poluidores e exploradores de animais e de recursos naturais. O combate aos mais fortes e privilegiados não se limitou às temáticas animalistas e ambientalistas. Também fomos a jogo no campo da promiscuidade entre o futebol e a política, e entre esta e o setor bancário", detalha na missiva enviada aos militantes.

Nas eleições legislativas de 2015, o PAN foi a quinta força política mais votada obtendo mais de 75 mil votos e elegendo André Silva, resultado que seria aumentado em 2019 quando o PAN elegeu quatro deputados para a Assembleia da República.

Pelo caminho, o PAN conseguiu eleger e perder o primeiro eurodeputado (Francisco Guerreiro) e uma deputada (Cristina Rodrigues) que passou a "não inscrita".

"Vivi intensamente os desígnios do PAN, tendo dado o máximo que tenho e da forma que melhor sei. No caminho, cometi erros, tentei aprender com eles e corrigi-los. Abdiquei de muito a nível pessoal para me dedicar à missão de afirmar e fazer crescer o partido, relegando todos os outros aspetos da minha vida. Chegou a hora de mudar", justifica André Silva.

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