Coligação em Coimbra "está a correr muito bem". E as críticas não a deixam "adormecer"

José Manuel Silva, autarca de Coimbra, elege os efeitos económicos decorrentes da guerra na Ucrânia como os principais fatores externos que têm influenciado o trabalho do executivo camarário. Dentro de portas, recorda a "luta acesa" dos municípios no processo de descentralização e aplaude a intenção do Ministério da Saúde de seguir essa via.

Há um ano a comandar os destinos de Coimbra, José Manuel Silva faz um balanço "globalmente muito positivo" do trabalho levado a cabo pelos sete partidos da coligação que venceu as eleições autárquicas com quase 44% dos votos.

"Temos sentido, com grande espírito democrático, aplausos e críticas", admite à TSF. "Isso é incentivador para o nosso trabalho porque não nos deixa adormecer", acrescenta.

O antigo bastonário da Ordem dos Médicos fala de uma "experiência complexa, exigente e muito desafiante", mas está convicto de que a solução é uma aposta ganha.

"Surpreendemos com uma inédita e criativa solução para Coimbra. Continuamos, certamente, a surpreender pela capacidade de trabalho e produtividade desta coligação", defende.

No entender do autarca, a coligação ampla "está a funcionar muito bem": há "muito empenho" mas também "cumplicidade" entre todas as forças políticas. "Estamos a mudar Coimbra, isso já é notório e sentido pelas pessoas", destaca.

Para José Manuel Silva, os principais fatores externos que têm influenciado o trabalho da autarquia são mesmo os decorrentes da guerra na Ucrânia. Esse é, aliás, um problema transversal a todos os municípios do país que viram os efeitos da pandemia "muito agravados" pela pesada fatura do conflito.

"O nosso orçamento, este ano, foi reduzido - por força do aumento do preço dos materiais, da energia, dos combustíveis, da inflação - em 9 milhões de euros", afirma o autarca, assinalando que essa redução tem "um grande impacto na capacidade de fazer mais e de responder melhor aos anseios da população".

No dossiê da descentralização, José Manuel Silva aponta os dois lados de um processo que ainda está em debate. Para o autarca, este processo tornou-se um problema por causa do subfinanciamento que o tornava negativo para as câmaras.

"Receber novas competências e responsabilidades sem o correspondente financiamento ainda contribuía mais para condicionar o orçamento camarário e a capacidade das câmaras de cumprirem a sua missão autárquica", critica, reconhecendo que houve, de alguma forma, uma correção do caminho a seguir.

Agora, diz José Manuel Silva, "há maior abertura da parte do Governo".

Nesta altura, está a debater-se o processo de descentralização na área social que é "extremamente complexo" e "vai exigir a contratação de novas pessoas" e da criação de novas instalações, reclama o autarca, defendendo que esse custo deve também ser atribuído ao Governo. "Uma estrutura que já existia na Segurança Social tem agora de ser duplicada nas câmaras (...)", argumenta.

O autarca vinca que está "inteiramente" de acordo com o processo que está em evolução, mas lembra "a luta acesa" de algumas autarquias para que o caminho fosse diferente.

José Manuel Silva defende ainda a necessidade de o país ser desconcentrado e, por isso, mostra-se satisfeito com a intenção do Ministério da Saúde de seguir essa linha. Descentralizar as instituições do Estado é "fundamental para uma gestão geopolítica e equilibrada do país e para uma verdadeira coesão nacional", defende, reiterando a "total abertura das partes" para debater o processo de descentralização com o Governo.

Há precisamente um ano, José Manuel Silva derrotou o presidente cessante, Manuel Machado (PS). No discurso de vitória, disse que iniciaria "um novo ciclo" que seria sentido por todos os munícipes de Coimbra.

"Vamos trabalhar unidos e em conjunto, com uma lealdade crítica para que todos nos possamos melhorar, com as nossas sugestões, com as nossas críticas, que serão sempre bem-vindas, governando uma Câmara de portas abertas e janelas arejadas, de forma transparente e para as pessoas", frisou na altura o líder da coligação PSD/CDS-PP/Nós, Cidadãos!/PPM/Volt/RIR /Aliança, que incluiu ainda membros do Somos Coimbra, movimento independente pelo qual José Manuel Silva foi eleito vereador na oposição em 2017.

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