"Convergência não é difícil", mas Cotrim tem pressa e Rio vai mais devagar

Disponíveis para se entenderem depois das legislativas, PSD e Iniciativa Liberal discordaram do ritmo e da dimensão da reforma fiscal, das privatizações e sobre o serviço público, mas mostraram-se dispostos a acertar agulhas.

PSD e IL querem conversar depois das eleições, mas até lá chegarem,
João Cotrim de Figueiredo quer ir em bicicleta própria, enquanto Rui Rio quer dar boleia aos votos liberais, num claro apelo ao voto útil, enquanto abraça CDS e IL como parceiros privilegiados.

"Para isso é preciso que eu ganhe as eleições para ser indicado primeiro-ministro e que a direita tenha votos suficientes para ter 116 deputados", lembrou o líder do PSD.

João Cotrim de Figueiredo contrariou de imediato, apelando ao voto na IL "para garantir que um voto no Rio não acaba no bolso do Costa".

Rio ainda respondeu: "Esperemos que um voto na IL não ponha António Costa a primeiro-ministro", mas o líder liberal atirou: "Não põe, não põe. Mas depressa põe o do PSD."

Enquanto os dois líderes assumem a "convergência" e a crítica à gestão socialista de António Costa, divergem no ritmo e no alcance da mudança: Cotrim de Figueiredo defende "pressa" e "rasgo" acusando o PSD de fazer uma oposição "intermitente", Rui Rio defende que o Estado é "elemento fundamental" e considera que, por exemplo, a proposta liberal de uma taxa única de 15% de IRS seria "um descalabro" orçamental ou "uma grande injustiça".

Entre as diferenças, estão as propostas da IL de privatizar a RTP ou Caixa Geral de Depósitos. Rio já assumiu a vontade de privatizar a TAP, mas, em relação ao banco público e ao serviço público de televisão e de rádio, o líder do PSD defende que devem permanecer mas mãos do Estado a não ser que "comecem a ter prejuízos".

Sobre saúde e educação, a Iniciativa Liberal defende a "liberdade de escolha", enquanto o PSD de Rui Rio considera que o Estado tem a obrigação de prestar educação e saúde de qualidade".

Já no final do debate, João Cotrim Figueiredo escusou-se a responder se estaria disponível para ser o "número dois" de Rui Rio. O líder da IL afirma que "ao contrário de outros", não exige lugares.

TUDO SOBRE AS LEGISLATIVAS DE 2022

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