Da ameaça russa ao ressurgimento do fascismo. O estado da União Europeia em debate no Parlamento

O Governo alerta para a ameaça russa à Europa, mas, no Parlamento, levantam-se vozes que consideram que o perigo está dentro da própria União Europeia. O Estado da União esteve hoje em debate, na Assembleia da República.

O Governo abriu o debate sobre o estado da União Europeia, esta tarde, na Assembleia da República, com um alerta sobre a ameaça que a Rússia representa hoje para a Europa. O secretário de Estado dos Assuntos Europeus, Tiago Antunes, afirma que a energia e os alimentos têm sido usados como armas.

"A União Europeia está sob ataque, como o ato de sabotagem às condutas do Nord Stream 1 e do Nord Stream 2 de que ontem tomámos conhecimento bem demonstra. Para além do atentado à soberania e integridade territorial da Ucrânia, é a própria União Europeia que é diretamente visada por quem não tem pejo em fazer da energia, como da comida, armas que visam atingir o nosso modo de vida", declarou o secretário do Estado.

Para o PCP, no entanto, é a União Europeia quem continua a instigar a guerra, não olhando às consequências dos seus atos.

"Embora reconheça o efeito devastador das sanções [contra a Rússia], a sra. Von der Leyen defende-as, fazendo a apologia da guerra que não devia ter começado, mas que justifica todos os sacrifícios impostos aos povos", defendeu o deputado comunista Alfredo Maia...

A desconfiança em relação à ação europeia é partilhada pelo Bloco de Esquerda, que afirma que é por culpa da União que a extrema-direita está a ressurgir na Europa.

"Quem pensa que a União Europeia é um travão contra os 'zombies' do século passado engana-se. A União Europeia cria as desigualdades, cria a desesperança e cria o descontentamento que alimentam os mortos-vivos", atirou a deputada Mariana Mortágua.

Já na opinião do PSD, quem tem falhado é o Governo português, na resposta às dificuldades trazidas pela guerra. A deputada Catarina Rocha Ferreira acusou o Executivo de ser uma "agência de publicidade" e mencionou, no debate, a recente polémica envolvendo a ministra da Coesão e os fundos atribuídos a empresas do marido da governante.

"São fundos europeus. É uma questão ética e é a imagem de Portugal que está aqui em causa. O que aqui avaliamos não é a propaganda que nos traz, mas os resultados produzidos - e estes são francamente maus", afirmou.

Também o Chega, pela voz de Pedro Pessanha, acusa o governo de inação e afirma que a União Europeia "está a passar o pior momento de sempre".

Pelo PAN, Inês Sousa Real pede mais apoios "às empresas e às famílias", que estão a se cor "estranguladas" pela inflação e destaca a importância da independência energética.

Já o Livre e a Iniciativa Liberal mostram-se preocupados com a Hungria - um Estado que já não é considerado uma democracia plena.

"O Governo vai continuar com a posição que teve há dois anos, quando o sr. primeiro-ministro foi à Hungria, visitou Viktor Orbán e disse que o Estado de Direito não deve ser condição para se receber fundos europeus", questionou o deputado liberal Bernardo Blanco, enquanto o deputado único do Livre, Rui Tavares, sugeriu ao Governo que leve a questão da Hungria ao Tribunal de Justiça da União Europeia.

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