Do acordo para a energia ao negócio da Efacec. Montenegro acusa Costa de ser "matreiro" e "dissimulação"

O presidente do PSD abordou também a reação gerada perante as declarações que fez sobre a alegada obsessão do Executivo socialista pelas "contas certas". Montenegro garante que o partido "não se descaracterizou".

Luís Montenegro afirma que Costa tem sido "matreiro" e "dissimulado" na forma de fazer política. O líder do PSD esteve, este sábado, em Lisboa, na Cimeira Ibérica da Juventude, organizada pela JSD e pelas Nuevas Generaciones, do Partido Popular de Espanha.

Montenegro diz não acreditar na palavra do primeiro-ministro português, assim como na de Pedro Sánchez e Emmanuel Macron, quando dizem que o acordo recentemente alcançado (em relação ao transporte de gás e hidrogénio verde da Península Ibérica para França) não põe em causa as ligações para a energia elétrica produzida em Portugal.

"Se era tão verdade, como eles dizem que é, porque é que não disseram no dia [em que se chegou ao acordo para o gasoduto]? Porque é que foi preciso uma semana para virem agora dizer (...) que as interconexões dos Pirenéus, elétricas, são para fazer?", questionou Luís Montenegro. "Já são para fazer desde 2014! Em 2015, em Madrid, o Governo português, o Governo espanhol, o Governo francês, a Comissão Europeia e o Banco Europeu de Investimento asseguraram os projetos e o financiamento", acrescentou.

"Quem é que acredita nesta palavra que é agora dada, solenemente, por estes três Governos? Eu não acredito", atirou Montenegro.

O líder do PSD aponta também a falta de transparência do Governo no que diz respeito ao tema Efacec. Luís Montenegro lembra que o Executivo tinha sido questionado sobre o assunto dias antes de se saber que o negócio tinha falhado.

"Porque é que o Governo não disse a verdade toda na quinta-feira e na quarta? Já sabia!", notou. "O Governo ocultou, sonegou, esta informação, de uma forma intencional."

"Esta forma dissimulada, matreira, de fazer política não enobrece a política, não enobrece o Governo, não dá confiança aos cidadãos e significa brincar com o dinheiro que é de todos", afirmou Luís Montenegro.

O presidente do PSD abordou também a reação gerada perante as declarações que fez sobre a alegada obsessão do Executivo socialista pelas "contas certas". Montenegro garante que o partido não mudou de identidade e volta a acusar o PS de austeridade.

"Houve quem quisesse ver nisso - eu não percebo bem porquê (...) - que o PSD se estava descaracterizar, por, hipoteticamente, não estar de acordo com esse objetivo de ter as contas públicas equilibradas. Eu quero aqui dizer, para que não tenham dúvidas: nós nunca nos descaracterizamos", assegurou.

"Nós não somos daqueles que se juntam aos extremos políticos só para sobreviver e governar", atirou, numa referência à "geringonça" formada por PS, PCP e Bloco de Esquerda, e concluindo que, com o Executivo socialista, as contas públicas "estão certas porque a opção (...) foi empobrecer a vida das pessoas".

O líder social-democrata falou ainda da taxa sobre lucros excessivos, que António Costa anunciou, esta semana, que deverá também ser cobrada às empresas distribuidoras. Luís Montenegro considera que Costa devia começar por cortar os "lucros excessivos" do próprio Governo.

"A empresa que, em Portugal, teve mais lucros extraordinários foi o Partido Socialista, o seu Governo e a administração central", declarou o presidente do PSD. "Quero ver quanto é que vai dar essa taxa extraordinária, mas há uma certeza que eu tenho: vai ser uma gota no oceano dos impostos que nos cobraram a mais este ano, às famílias, às pessoas, às empresas, às instituições."

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