Feriado a 25 de Novembro? "Percebo que os militantes do CDS queiram comemorar"

No programa da TSF e CNN Portugal O Princípio da Incerteza, Lobo Xavier relembra que os militantes do CDS "passaram muita dificuldade para agirem livremente". Alexandra Leitão considera que só o 25 de Abril deve ser feriado e Pacheco Pereira critica a "falsificação do passado".

António Lobo Xavier compreende que os militantes do CDS queiram celebrar o 25 de Novembro. No programa da TSF e CNN Portugal O Princípio da Incerteza, o antigo deputado centrista defende que é importante comemorar a data em que algumas partes das Forças Armadas travaram o chamado PREC, ou seja, o Processo Revolucionário em Curso, permitindo estabilizar a democracia em Portugal.

Lobo Xavier reconhece a importância da data, mas não vai ao ponto de pedir feriado, conforme defenderam esta semana o Chega, a Iniciativa Liberal e o CDS.

"O CDS não tinha liberdade de existir, não havia nenhum comício, nenhuma sessão de esclarecimento que não fosse boicotada, não havia uma colagem de cartazes em que os militantes do CDS não fossem agredidos, não havia um comício do CDS sem tumultos", explica Lobo Xavier, sublinhando: "Eu percebo que um partido fundador da democracia, onde os militantes passaram, sobretudo até ao 25 de Novembro, mas não só, muita dificuldade para agirem livremente, que queiram comemorar a 25 de Novembro."

"Não é o Chega, nem a Iniciativa Liberal, são militantes como eu que eram indubitavelmente democráticos, que nasceram a defender o 25 de Abril e que não tiveram durante muito tempo liberdade para agir e que havia um boicote, um afastamento premeditado e organizado do CDS da vida política livre", acrescenta.

Para Alexandra Leitão, antiga ministra de António Costa, só o 25 de Abril deve ser feriado, porque sem este não haveria 25 de Novembro.

"Na minha opinião não deve ser feriado. Olhando quase 50 anos volvidos nós temos um momento que é o 25 de Abril, que põe fim a um regime autoritário e que restaura a liberdade e a democracia. Essa é que é a data que deve ser comemorada, que deve ser feirado, que deve comemorada institucionalmente, que deve ser comemorada na rua, que deve ser comemorada como aquilo que ela foi, que foi uma revolução popular, pacífica, sem 25 de Abril não havia 25 de Novembro", afirma.

Já Pacheco Pereira critica a adulteração que é feita do passado e da data do 25 de Novembro. O antigo deputado do PSD recorda o processo eleitoral para a estabilização da democracia e refere que o PCP participou na contenção de um processo que poderia ter acabado em guerra civil.

"Cada um pode ter as posições políticas que entender mas falsificar o passado fica mal e há uma sistemática falsificação do passado em particular nos dias de hoje. Não existiu sempre, é relativamente recente em relação ao 25 de Novembro", considera. "Essa falsificação centra-se no papel do Partido Comunista."

"Não é verdade que o Partido Comunista tenha sido fundamental na atuação militar do 25 de Novembro. O Partido Comunista tem sempre, desde há muito tempo, a mesma posição: um pé dentro e um pé fora. Sucede que, neste caso, tirou o pé que tinha dentro e, de alguma maneira, negociou uma contenção pactuada do que aconteceu no dia 25 de Novembro", refere Pacheco Pereira, questionando: "Quem são os derrotados do 25 de Novembro?"

"É essencialmente a esquerda militar, a extrema-esquerda militar e no dia 26 há outro derrotado que se fala pouco: todos aqueles que queriam ilegalizar o PCP e esses que tentaram foram igualmente derrotados pelo setor mais moderado ligado ao Grupo dos Nove do MFA."

Recomendadas

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de