PCP quer facilitar acesso a novos medicamentos para a fibrose quística

O partido lembra que têm surgido medicamentos inovadores que melhoram a qualidade de vida dos doentes, pedindo uma negociação "sem limites de confidencialidade".

O PCP quer que o Estado garanta o acesso ao medicamente inovador para a fibrose quística a todos os doentes que necessitem do fármaco. Os comunistas vão dar entrada com um projeto de resolução na Assembleia da República, que prevê a simplificação de processos e o "combate ao monopólio no setor farmacêutico".

Em declarações à TSF, o deputado João Dias explica que o programa de acesso precoce aos medicamentos para tratar a doença "fragiliza a posição negocial do Estado, e não cria condições para que mais doentes tenham acesso ao medicamento".

"Não se podem aceitar cinco anos para comparticipar o medicamento, ainda por cima a preços insuportáveis. Estamos a falar de milhares de euros por mês. O Kaftrio está a ser utilizado apenas por 20 pessoas. Esta arma terapêutica, que os médicos podiam estar a prescrever, não conseguem fazer porque são criados critérios apenas para gravidade extrema", explica o deputado.

No projeto de resolução, a que a TSF teve acesso, o partido lembra que "têm surgido medicamentos inovadores que, não representando a tão desejável cura, demonstraram melhorar significativamente quer o prognóstico da evolução da doença e os seus efeitos, quer a qualidade de vida da pessoa com fibrose quística".

O PCP defende ainda que os doentes devem ter acesso ao tratamento "mais adequado e aos novos medicamentos com evidência científica", pedindo que o Estado não fique refém "dos interesses da indústria farmacêutica".

Nesse sentido, João Dias afirma que "não se pode aceitar, de ânimo leve, que a indústria farmacêutica faça os preços que quer", pedindo "dezenas de milhões de euros aos países por ano". O deputado defende que os preços de fabrico dos medicamentos devem ser públicos, assim como as negociações para obter os fármacos, "sem limites de confidencialidade".

Em Portugal existem cerca de 400 pessoas com fibrose quística, uma doença que afeta, sobretudo, pâncreas, pulmões, fígado e intestino. As dificuldades respiratórias estão associadas a 90% da mortalidade, com uma esperança média de vida de apenas 40 anos.

Desde novembro, mês em que foi aberto um programa de acesso precoce ao Kaftrio, o Infarmed deu 14 autorizações de uso especial do medicamento.

A sensibilidade para com a doença deu-se depois de um vídeo publicado nas redes sociais por Constança Bradell, que sofre de fibrose quística. A jovem queixou-se da demora na aprovação do tratamento.

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