Governo admite "problemas" e rejeita querer responsabilizar PR na nomeação de governantes

A ministra da Presidência admite que as últimas semanas "não têm sido fáceis" e sublinha a necessidade de avaliar um novo mecanismo de escrutínio dos candidatos a governantes.

Mariana Vieira da Silva admite que o Governo tem tido problemas que precisa de resolver, mas rejeita que a proposta enviada por António Costa a Marcelo Rebelo de Sousa seja uma forma de responsabilizar o Presidente da República no escrutínio prévio de governantes.

A ministra da Presidência foi questionada sobre o tema, esta sexta-feira, em Lisboa, na conferência que assinala os 50 anos do jornal Expresso, e reconheceu que o Executivo tem ultrapassado um período difícil.

"Estas semanas não têm sido fáceis. Não vou dizer que têm, porque é mais do que evidente que não têm", confessou a governante.

A ministra disse "não desvalorizar os problemas que têm existido" e sublinhou que "o Governo deve trabalhar para melhorar", quer "no ponto de vista institucional", mas, "principalmente, do ponto de vista político".

Ainda assim, a ministra mostra-se convencida de que o Executivo de maioria absoluta continua a ter todas as condições para governar. "Parece-me que continuamos a ter essas condições, acredito que continuamos a ter essas condições", frisou.

Na sequência das sucessivas polémicas com nomeações e demissões de governantes, Mariana Vieira da Silva concorda, contudo, que é preciso avaliar a hipótese de um novo mecanismo de escrutínio dos nomes propostos para cargos políticos, como sugeriu, esta quinta-feira, o primeiro-ministro.

"Algumas das coisas que se pede [ao Governo] que se perguntem [aos candidatos a membros do Governo], ou que se pesquisem, não são coisas a que um membro do Governo possa aceder", defendeu. "Há um tipo de investigação e de informação que depois chega a público, por outras fontes que têm outros recursos, e que têm a ver com dados pessoais."

Por isso, na ótica da ministra da Presidência, a introdução de um mecanismo de "vetting", deve ser alvo de uma "reflexão" por parte do país - que, acrescenta, terá de "pesar os prós e os contras" da aplicação desse escrutínio.

A proposta feita por António Costa à Presidência da República, adianta a ministra, passa por "um mecanismo formal", "exterior ao Governo", posto em prática "antes da nomeação para os cargos". Mariana Vieira da Silva rejeita, apesar de tudo, que isto constitua uma forma de corresponsabilizar o Presidente no que toca à nomeação de governantes.

"O primeiro-ministro fez uma proposta ao Presidente da República e agora essa é a esfera de decisão. Não creio que se trate de nenhuma passagem de responsabilidades", declarou.

A ministra falou ainda sobre a moção de Censura ao Governo, apresentada pela Iniciativa Liberal, esta quinta-feira, no Parlamento - e que contou apenas com o apoio do Chega. Para Mariana Vieira da Silva, foi a prova de que a oposição está dividida e sem ideias para o país.

"A moção de censura ao Governo, além de ter chumbado, nem sequer uniu a oposição - nem sequer uniu a oposição de direita", atirou.

"Aquilo que demonstrou é que nenhuma força política, mais ninguém, tem um caminho para o país enfrentar a crise que tem pela frente", concluiu.

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