Jerónimo de Sousa ironiza papel do PS como "defensor" dos direitos dos trabalhadores

O líder comunista respondeu ao deputado socialista Joºao Paulo Pedrosa que garantiu que o PS defende os direitos dos trabalhadores.

O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, ironizou o papel do PS como "defensor" dos direitos dos trabalhadores, apontando que em questões-chave em matéria laboral, os socialistas abandonaram muitas vezes "a sua matriz original".

Jerónimo de Sousa respondia ao deputado socialista João Paulo Pedrosa que, momentos antes, tinha reconhecido o PCP como "baluarte na defesa dos trabalhadores em Portugal", mas que pediu algumas "meças" para o PS nessa matéria, na interpelação ao Governo requerida pelos comunistas, hoje em debate no parlamento.

"PS defensor dos interesses dos trabalhadores...", começou por responder o líder comunista, em tom irónico, causando alguns risos nas bancadas mais à esquerda do hemiciclo.

"O problema é que já estou aqui há demasiado tempo talvez, e conheço perfeitamente a posição que o PS tem tido nalgumas matérias laborais que se demarcam das bancadas da direita, mas eu não me atrevia a esse tom, com o conhecimento de que tenho, com a memória que exerço", apontou o deputado.

Para o secretário-geral do PCP, "em questões-chave, o PS muitas vezes abandonou a sua matriz original e identificou-se com este ataque violento aos direitos de quem trabalha".

Momentos antes, o deputado socialista João Paulo Pedrosa, argumentou que "não é preciso ir buscar os 50 anos de história desde o 25 de Abril" para verificar o papel do PS na defesa dos trabalhadores, "basta ir agora ao contexto da pandemia para dizer que temos hoje 6,5% de desemprego, uma das mais baixas taxas da Europa, porque conseguimos pagar mais 2 mil milhões de euros em apoios ao emprego a mais de 900 mil pessoas e apoiando 110 mil empresas", sustentou.

O parlamentar socialista apontou ainda que no Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) estão previstos 230 milhões de euros para "uma agenda do trabalho digno", reforçando o emprego permanente e os salários, e ainda 130 milhões para o "impulso jovem" de forma a "reforçar as tecnologias, porque é onde os trabalhos são mais bem pagos".

Mas Jerónimo de Sousa respondeu com uma pequena lição de história, recuando no tempo.

"Relativamente aos contratos a prazo, valia a pena o senhor deputado ler o debate que se realizou aqui em 1976, veja lá, aos anos que isto foi, e as juras e rejuras de que aquilo era para uma situação excecional, para o trabalho sazonal e mais nada, mesmo assim com contrato a prazo", atirou.

"Uma fenda na muralha" pela mão do PS

Para o PCP, "abriu-se a fenda da muralha pelas mãos do PS", ainda que com apoio dos partidos à direita, e "hoje temos a situação que temos".

Jerónimo questionou ainda a bancada socialista sobre o alargamento do período experimental, no qual, lamentou, muitos jovens durante seis meses não têm qualquer tipo de subsídio ou "direito a ter direitos".

"Acha que isso é um progresso, a posição do PS? Nós consideramos que em relação a estas matérias, o PS em momentos chave, decisivos, por exemplo em relação à questão da contratação coletiva, tem sempre tendência para ceder, não tanto ao PSD e CDS, eu diria mais aos interesse de classe dos mais poderosos", criticou.

Reconhecendo que o PS teve um papel decisivo na "aprovação da constituição laboral em 1976", Jerónimo alertou que "não é com opções com a direita" que se encontram soluções.

"Tenho a certeza, a convicção, este sentimento de que é possível a justiça social, que é possível valorizar o trabalho e os trabalhadores, que é possível termos uma nova geração com direitos. Naturalmente não é com opções com a direita que encontramos soluções. E é por isso que nós aqui estamos a lutar e a propôr e a denunciar", rematou.

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