Jerónimo diz que maioria absoluta permite ao PS "compromisso com política de direita"

Líder comunista assinala que tem havido "foguetório" em torno do resultado socialista, seja por parte "do grande capital, seja do patrão dos patrões da CIP, seja dos banqueiros, como o presidente do BPI".

O líder do PCP defendeu este sábado que a maioria absoluta do PS lhe permite "levar mais longe o seu compromisso com a política de direita", criando um "quadro mais difícil" no qual os comunistas irão defender os trabalhadores.

"Esta maioria absoluta, que beneficiou de uma extrema promoção da bipolarização e da dramatização do perigo da direita, deixa o PS com condições de levar mais longe o seu compromisso com a política de direita e manter a sua opção de subordinação aos grandes interesses económicos que dominam o país", afirmou Jerónimo de Sousa.

O secretário-geral comunista falava numa sessão pública intitulada "PCP - Contigo todos os dias", que decorreu no Fórum Lisboa, tendo acusado os socialistas de querem "libertar-se da exigência de soluções para os problemas do país, que o PCP de facto sempre protagonizou, para voltar às políticas que agravam esses mesmos problemas".

"Se não fosse com a maioria absoluta, haveria de ser com os arranjos com o PSD", frisou.

Jerónimo de Sousa abordou o "foguetório que por aí vai a saudar a maioria absoluta do PS", nas últimas legislativas, designadamente por parte "do grande capital, seja do patrão dos patrões da CIP, seja dos banqueiros, como o presidente do BPI", para referir que isso mostra "a quem serve de facto essa ambicionada maioria e quanta confiança expressam nela os senhores do dinheiro".

O líder comunista reconheceu que o resultado do PCP nas eleições legislativas - que passou de 12 deputados para seis - correspondeu a "uma significativa perda" de representantes, considerando tratar-se de "um elemento negativo na vida nacional".

Salientando que os resultados "não excluem uma análise mais aprofundada", designadamente no que se refere às "próprias insuficiências e deficiências" do PCP, Jerónimo de Sousa afirmou, no entanto, que as legislativas foram influenciadas por vários fatores, começando por criticar a "estimulação de uma dinâmica bipolarizadora" à volta do PS e do PSD.

"O que muitos não viram ou não compreenderam naquele dia da votação, o irão compreender amanhã, estamos certos, quando um falso voto útil dado ao PS, em nome do combate à direita, se traduzir num voto inútil para a melhoria das condições de vida dos trabalhadores e do povo e do combate a essa mesma direita!", exclamou, perante os aplausos da plateia.

Além disso, o líder comunista criticou também "a insistente mentira de responsabilização do PCP e do PEV pela realização das eleições", afirmando que, pelo contrário, a razão que levou à convocação das legislativas antecipadas foi a vontade do PS de "fugir à solução dos principais problemas do país e à influência do PCP e do PEV que o grande capital exigia".

Jerónimo de Sousa elencou várias medidas - como a habitação, a revalorização das reformas, o aumento dos salários, ou o reforço do SNS - para referir que "a realização das eleições não iludiu os problemas e dificuldades" do país e frisou a necessidade de uma "política alternativa" que crie uma "rutura com a política de direita".

"Trabalhamos e agimos agora num quadro mais difícil, mas cá estamos e cá continuamos determinados em prosseguir com confiança a intervenção em defesa dos interesses e aspirações dos trabalhadores e do povo, das soluções para os problemas nacionais", disse.

LEIA AQUI TUDO SOBRE AS LEGISLATIVAS 2022

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