Juventude Popular: 48 anos e o sonho de "voltar a ser a casa das direitas"

De regresso ao local onde nasceu a estrutura jovem do CDS, o teatro São Luiz, em Lisboa. A JP vai reunir, esta sexta-feira, membros fundadores e militantes recém-chegados para "relançar o CDS". À TSF, o presidente da JP, Francisco Camacho, garante que a estrutura centrista "tem potencial para voltar a ser a casa das direitas".

A Juventude Popular (JP) assinala, esta sexta-feira, 48 anos, tantos quantos tem a Democracia. A TSF esteve à conversa com o presidente da JP, Francisco Camacho, que tem menos 20 anos do que a estrutura a que preside, mas os relatos preenchem-lhe a memória, quase até ao ano da fundação da antiga Juventude Centrista (JC), em 1974.

"Recordo-me, por exemplo, de António Lobo Xavier relatar o tumulto do primeiro comício da Juventude Centrista, no São Luiz, há 48 anos. Há um momento especialmente marcante (...) o pós-comício. Muitos militantes tiveram de sair pelas traseiras do teatro, alguns não conseguiram chegar à sede. Por exemplo, uma das fundadoras que vai estar connosco hoje conta-nos que teve de regressar a casa, porque enquanto rapariga, as recomendações eram de que não voltasse ao Caldas, tal era o aparato", conta o presidente da JP.

Quarenta e oito anos depois, a agora Juventude Popular reúne-se no teatro Municipal São Luiz, em Lisboa, o local onde há quase meio século a Juventude Centrista realizou o primeiro comício. Esta sexta-feira a juventude e o partido volta a este teatro para "homenagear os que participaram no primeiro comício".

"Não queremos fazer do dia de hoje só um exercício histórico ou evocativo da nossa data de celebração. Vamos poder contar com uma geração fundadora, hoje, no São Luiz, e com isso lançar uma mensagem de união para o partido, demonstrar que há muita gente capaz, que pode contribuir para o CDS e relançar o CDS", explica Francisco Camacho.

Antes de ser "popular" a juventude do CDS já foi "centrista". Na viragem do século, sob a liderança de Pedro Mota Soares, a estrutura adotou o nome atual. Hoje, Francisco Camacho diz que a juventude é um pouco das duas: "Queremos ser populares no sentido de termos tração com as novas gerações, capaz de resgatar alguns dos militantes, mas sempre com respeito por uma visão centrista no modo de atuação política".

A JP vai somando aniversários, mas perdendo militantes. Em 2017, a estrutura da juventude do CDS contabilizava 20 mil militantes, número que colocava a JP no terceiro lugar do pódio das juventudes com mais seguidores. Mas a realidade atual do partido, com "muitas coligações" ao nível autárquico, mas sem representação parlamentar, e sem "exposição mediática" vem afastando os jovens da estrutura centrista. O presidente da juventude centrista garante que este cenário "não trava a ambição da JP de ajudar o partido".

Francisco Camacho recorda o bom momento da Juventude, no período da aliança PSD/CDS. O presidente da Juventude Popular relata "uma militância com muito sonho e com muita ambição", com um "projeto político considerado pelos portugueses". Hoje a esperança e a ambição mantém-se, mas "são outras", recuperar o partido e a confiança dos portugueses.

"Queremos recuperar o CDS, precisamente, pela boa marca que deixou no Governo de 2011, com o PSD. O país precisa de quadros experimentados e nós na JP e no CDS temos essas pessoas", sublinha Francisco Camacho.

À TSF, Francisco Camacho atira três bons motivos para os jovens aderirem à JP: a "diversidade de pensamento" na "casa das direitas", o "carimbo da história" e a aposta na "formação política".

Esta sexta-feira há uma cerimónia no teatro São Luiz, em Lisboa, às 18h30, seguida de uma caminhada do teatro até à sede do CDS, no Largo do Caldas.

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