Militares e forças de segurança queriam entregar caixa vazia a Costa, mas ficaram à porta

Presidente da Associação dos Profissionais da Guarda fala de "desconsideração" por parte do Governo e lamenta que nem um "assessor ou funcionário" tenha estado disponível em São Bento para receber o protesto desta tarde.

Os militares das Forças Armadas e os profissionais das forças e serviços de segurança acusam o primeiro-ministro de estar, uma vez mais, a desconsiderar o setor. Num dia em que se manifestaram contra os aumentos salariais previstos na proposta de Orçamento do Estado para 2023, os sindicatos do setor tentaram entregar em São Bento uma caixa de "promessas vazias" - que dizem ser uma representação do que receberam da parte do Governo - e um documento, mas não foram além da porta.

Em declarações à TSF, o presidente da Associação dos Profissionais da Guarda (APG-GNR), explicou que sabiam que seria difícil serem recebidos por António Costa - em especial num dia em que tem agenda "sem a roupa de primeiro-ministro, mas com a de secretário-geral do PS" -, mas lamenta que nem um "assessor ou funcionário" tenha estado disponível.

"É mais uma vez uma desconsideração demonstrada, quer pelo senhor primeiro-ministro, quer pelo Governo no geral, para com estes profissionais" que participaram no protesto.

César Nogueira assinala também que esta manifestação "já estava agendada" e foi comunicada às "entidades competentes", pelo que "nada justifica que nem uma pessoa que seja, de entre vários assessores ou funcionários", tenha estado disponível para receber um documento.

O caixote com que chegaram a São Bento servia para devolver ao Governo o que dele receberam e, por isso, ia vazio. É que, explica César Nogueira, os aumentos salariais prometidos são uma "mão cheia de nada".

"É uma caixa de promessas vazias e do nada recebido", lamenta o representante dos guardas, que fala de "muitas promessas" por parte do Governo. "Era isso que queríamos entregar, uma caixa com um documento a explicar isso mesmo e a reivindicar o que achamos que é justo, visto que não há aumentos salariais há 12 anos e queremos ter direito a negociar."

Segundo o Ministério da Defesa Nacional, os militares vão ter aumentos mensais no próximo ano entre 52 e 104 euros. Já os agentes da PSP e guardas da GNR em início de carreira e com salários brutos até aos 1163 euros vão ter aumentos entre os 90 e os 107 euros, depois a partir daí em todos os níveis remuneratórios haverá um aumento médio de 52 euros até aos 2570 de remuneração e de 2% nos salários acima desse valor.

O protesto foi organizado pela Comissão Coordenadora Permanente (CCP) dos Sindicatos e Associações dos Profissionais das Forças e Serviços de Segurança, estrutura que congrega os sindicatos e associações mais representativos do setor da segurança interna, e pelas associações das Forças Armadas Associação Nacional de Sargentos (ANS), Associação de Oficiais das Forças Armadas (APFA) e Associação de Praças (AP).

Fazem parte da CCP a Associação dos Profissionais da Guarda (APG/GNR), Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP/PSP), Associação Socioprofissional da Polícia Marítima, Sindicato da Carreira de Investigação e Fiscalização do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, Sindicato Nacional do Corpo da Guarda Prisional e Associação Sindical dos Funcionários da ASAE.

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