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O secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, considerou esta terça-feira que a proposta do PSD de referendar a eutanásia é uma "manobra um bocadinho demagógica" e que não faz sentido tendo em conta a amadurecimento do processo.
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"Nós não acompanhamos essa iniciativa, achamos que a Assembleia da República tem todas as condições e a legitimidade para poder aprovar essa lei em questão ou outra qualquer", sustentou Paulo Raimundo, quando questionado pela Lusa sobre a proposta apresentada na segunda-feira pelo presidente social-democrata.
Luís Montenegro anunciou, no final de uma reunião da comissão permanente do partido, a entrega no parlamento de um projeto de resolução com um pedido de referendo sobre a despenalização da eutanásia.

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"A nossa expectativa é que a Assembleia da República deixe a decisão final para depois da pronúncia sobre o referendo", referiu.
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O secretário-geral comunista discorda da iniciativa social-democrata e classificou-a como "uma manobra um bocadinho demagógica" que "responsabiliza quem a apresenta".
Paulo Raimundo também criticou o 'timing' da proposta do PSD numa altura em que o processo está em fase de votação na especialidade e quase a ser submetido a votação final global.
"Achamos que até é um bocadinho contravapor [pedir um referendo à despenalização da eutanásia] tendo em conta o processo em que estamos", completou o líder comunista.
O dirigente do partido deslocou-se ao Entreposto da SONAE na Azambuja, no distrito de Lisboa, para um contacto com os trabalhadores.
Jerónimo de Sousa já não é o rosto do PCP, mas marcou a sua presença com o habitual à-vontade com os trabalhadores. Na altura em que uns turnos terminavam e outros estavam para começar, o 'desconhecido' Paulo Raimundo participou na entrega de panfletos com as propostas do partido sobre o aumento dos salários e melhoria das condições laborais.
Jerónimo de Sousa sempre de fato. Paulo Raimundo mais casual, de botas e calças de ganga, mas um à-vontade como se estivesse entre os seus "camaradas", que o conhecem bem.
E até brincou com a situação: "Ainda há pouco uma senhora me disse: 'você é que é o tal'. É uma questão de tempo, mas é o que me preocupa menos, o espaço de contacto é que é fundamental. Não tive nenhuma reação negativa até ao momento, é natural que vá a vir a ter, mas é a vantagem de ser desconhecido."
Paulo Raimundo, que está quase a cumprir um mês como secretário-geral comunista, anda num périplo pelo país, e hoje deslocou-se a essas instalações da SONAE na Azambuja para ouvir as preocupações "de gente que é duplamente injustiçada, pelos baixos salários que aufere, e pela distribuição da riqueza e dos lucros".
"Estamos perante uma empresa que tem tido lucros muito significativos e esta gente merece salários, respeito, melhores horários de trabalho e menos precariedade que é o que enfrentam todos os dias", completou.