Pedro Nuno Santos falha debate sobre aeroporto, mas Governo diz que "todos terão uma palavra a dizer"

O PSD volta a dizer que "a última palavra será sempre do Governo", apesar do acordo bipartidário.

O debate de urgência para discutir o futuro aeroporto de Lisboa, pedido pelo Chega, ficou marcado pela ausência do protagonista: Pedro Nuno Santos. André Ventura tinha "exigido" a presença do ministro, mas "na agenda" não houve espaço para o debate.

Quando o Chega pediu o debate de urgência, já o ministro tinha marcada a apresentação da futura linha de alta velocidade que vai ligar Lisboa a Vigo, no Porto, com António Costa. Ainda assim, a ministra Adjunta e dos Assuntos Parlamentares, Ana Catarina Mendes, sentiu necessidade de justificar a ausência do ministro, "por respeito ao Parlamento".

"Não estando o Sr. Ministro, está o Sr. Secretário de Estado das Infraestruturas que tem a tutela. Recordo a este Parlamento que o Governo faz-se representar por quem acha que o deve representar", atirou.

Já sem tempo para intervir, André Ventura pediu fez uma interpelação à mesa, concedida por Augusto Santos Silva, para lembrar que "do Porto a Lisboa são 2h34".

"A Sr. Ministra sabe muito bem porque é que Pedro Nuno Santos não está aqui hoje. Não está, porque António Costa não o deixou", disse, referindo-se à polémica com o despacho que envolveu o ministro das Infraestruturas e o primeiro-ministro.

E, num tom bem mais crítico, André Ventura acusou Pedro Nuno Santos de cobardia, com "dois partidos em conluio absoluto", além de António Costa "ser irresponsável".

"O ministro das Infraestruturas é incapaz e está escondida. E temos um Governo à deriva num dos temas estruturais para o país", acrescentou.

O secretário de estado, Hugo Santos Mendes, que representou o Governo, lamenta que a avaliação ambiental "não se faça em duas ou três semanas", mas garante que quando estiver concluída, "todos vão ter uma palavra a dizer".

"Todo o país e todos os partidos políticos poderão apreciar o relatório produzido e participar num debate plural", garantiu.

Da esquerda à direita ouviram-se críticas ao acordo bipartidário, entre PS e PSD, e o socialista Carlos Pereira defendeu até os social-democratas das críticas, pedindo para deixarem "o PSD em paz", já que o partido "está a fazer "um caminho em prol do país".

Da parte do PSD, o Paulo Rios de Oliveira acentua que "a última palavra será sempre do Governo", reafirmando o que Luís Montenegro tem dito desde que começou a sentar-se à mesa com António Costa, para discutir uma solução.

"Não há nenhum acordo entre o PS e o PSD. O PSD é ouvido e manifestou o que são as suas prioridades. O Governo aceita-as? Ótimo, continuemos. Mas a última decisão, quer aceite ou não, será sempre do Governo", salientou.

O debate acontece um dia antes de o Governo apresentar os primeiros diplomas que vão dar luz à avaliação ambiental, já no próximo Conselho de Ministro. A avaliação estará concluída, ao que tudo indica, daqui a um ano.

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