Vacinação de crianças. Ponderar só para proteção de adultos "é inaceitável"

A presidente do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida, Maria do Céu Patrão Neves, apela a uma ponderação mais vasta.

A presidente do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida considera que é inaceitável partir do princípio que a vacinação de crianças deve acontecer só para proteger os adultos. Na semana em que foi aprovada a vacinação contra a Covid-19 da faixa etária mais nova, Maria do Céu Patrão Neves, sublinha que importa deve ser sempre o superior interesse dos mais novos.

"O que importa aqui é o maior interesse das crianças. Ponderar a vacinação em termos de proteção dos adultos não é aceitável do ponto de vista ético. Terá que ser em função do interesse da criança", defende, em declarações à TSF.

Maria do Céu Patrão Neves sublinha que, na decisão, além das questões clínicas, há vários aspetos que devem ser ponderados na avaliação risco/benefício. "A criança deveria ser tomada na sua dimensão física, psicossocial, afetiva e, por isso, do ponto de vista clínico, mesmo que não tenham havido casos de doença grave entre crianças, é preciso ponderar também o aspeto social. Ponderar se não haverá meios como a vacina para prevenir um confinamento que tem uma penalização muito forte na saúde e desenvolvimento das crianças", explica a especialista.

A presidente do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida critica a confusão criada em torno da vacinação das crianças, sublinhando que, numa segunda fase, pode prejudicar a confiança no processo.

"O cidadão comum, se houver muitos peritos a exprimir posições muito diversas, corre o risco de numa primeira fase ficar muito confuso e, numa segunda fase, perder a confiança e isto não pode acontecer", lamenta.

Maria do Céu Patrão Neves defende ainda que o Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida pode dar contributos importantes e, por isso, lamenta que este conselho não esteja representado nas reuniões de peritos e políticos no Infarmed.

"Podia e devia ter lugar nas reuniões de peritos do Infarmed porque poderia ter um contributo complementar aos técnicos que informam o Governo para tomada de medidas em termos de saúde pública", considera a presidente, sublinhando que o conselho "daria um contributo relevante".

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