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O antigo candidato à liderança do PSD, Miguel Pinto Luz, defende que o partido precisa de um "debate interno profundo" antes de dar início à procura por um novo líder e avisa que este não é o tempo para "concursos de beleza ou desfiles de protocandidatos, ou de Farinha Amparo".
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No espaço de opinião Não Alinhados, entrevistado por Nuno Domingues, o crítico de Rui Rio assinalou que o resultado eleitoral do PSD nas eleições deste domingo resultou numa "derrota traumática a vários níveis" depois das "expectativas enormes que se geraram à volta desta campanha"
O partido está numa crise que é "estrutural e exige responsabilidade de todos os seus dirigentes", uma crítica que Pinto Luz faz com, como assinala, "o especial peso de quem, no último congresso, foi o único a fazer notar que não concordava com o caminho que estava a ser seguido".
Derrota do PSD foi "traumática a vários níveis".
Os tempos que se seguem no PSD terão uma "serenidade que será a melhor conselheira para todos os militantes e todos os dirigentes" sociais-democratas, até porque o líder, Rui Rio, não se demitiu, apesar de ter deixado aberta a porta da saída, uma atitude que elogia.
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A absoluta surpresa e a traumática derrota
"Não se demitiu, dando assim tempo para que o partido respire fundo e recupere desta noite muito difícil. Isto é muito importante e, por isso, sendo eu um crítico de Rui Rio - podia-se esperar de mim outra posição -, acho que o partido tem tempo", assinala Miguel Pinto Luz, que apela à reflexão interna.
"Respiremos fundo, o partido precisa de se oxigenar, precisa de repensar e precisa de um debate interno profundo antes de entrar nesta corrida para novas figuras ou para novas lideranças. O trabalho será árduo, profundo, e todos seremos necessários para o levar a cabo", alerta.
Partido deve agora entrar num "debate interno profundo".
Além da derrota do PSD, a noite eleitoral entregou também uma maioria absoluta ao PS e a António Costa, a quem Pinto Luz deixa desde já um aviso: "Esta governação em crescimento acabou, os tempos serão exigentes."
Sinais disso mesmo são as inflações "dos Estados Unidos e da Alemanha", que vão obrigar António Costa a "vestir o fato de estadista e não o fato do politiqueiro".
Outros fatores de preocupação são a "crise na Ucrânia, que provocará uma subida no preço dos combustíveis e a ameaça de uma subida da inflação", tal como o fim dos "tempos dos juros baixos".
Pinto Luz elenca os desafios de António Costa.
"Exige-se, neste ciclo, responsabilidade, determinação e espírito reformista que faltou muitas vezes ao PS. Costa tem a maioria absoluta que pediu, vejamos se terá o génio, a resiliência para reformar o país e reforma-lo para os desafios que se aproximam", lança o social-democrata.