PSD tirará "todas as ilações" do resultado das buscas a membro da comissão política

Social-democrata não afasta a retirada da confiança política a Rodrigo Gonçalves, mas esclarece querer que as investigações "possam ser produtivas".

O líder do PSD, Luís Montenegro, garante que o partido vai tirar "todas as ilações" e agir "em conformidade" com os factos que forem apurados na sequência das buscas da Polícia Judiciária (PJ) na Câmara de Oeiras e que envolvem Rodrigo Gonçalves, membro da Comissão Política Nacional do PSD.

Em declarações aos jornalistas, que procuraram saber se o líder social-democrata vai retirar a confiança política ao partidário se este for constituído arguido, Montenegro explicou que quer conhecer os factos primeiro, até porque garantiu desconhecer a situação "em absoluto, com exceção do que os senhores jornalistas têm veiculado através das notícias".

"É evidente que nós tiraremos todas as ilações que serão adequadas à factualidade que nos for apresentada, quando tivermos dela conhecimento. É verdade que houve um comunicado da PJ a dar nota das diligências e crimes sob investigação, mas não sabemos exatamente sobre quem incidem, em particular e em concreto, em termos de responsabilidade", notou Luís Montenegro.

"Com serenidade", o líder do PSD diz esperar que as investigações "possam ser produtivas" para esclarecer os factos, e deixa a indicação de que, "do ponto de vista político", o partido procederá "em conformidade com aquilo que for a informação" apurada.

No caso em questão há suspeitas de crimes de corrupção, participação económica em negócio e prevaricação por questões relacionadas com projetos empresariais e imobiliários, criminalidade que Montenegro reconhece como "grave".

Para já, recusa "fazer um juízo pré-definido", seja sobre este caso ou sobre "qualquer outra pessoa envolvida, mesmo que não seja do PSD", mas não sem ressalvar que também ninguém dever ser "isentado de dar os esclarecimentos que a Justiça pede".

A Polícia Judiciária fez esta terça-feira "25 buscas domiciliárias e não domiciliárias em duas Câmaras Municipais, uma Junta de Freguesia, em treze empresas e em nove residências, todas situadas na Área Metropolitana de Lisboa", indicou num comunicado.

"Está em causa uma investigação em que se visa apurar a eventual prática de crime de corrupção ativa e passiva para ato ilícito, de participação económica em negócio e de prevaricação", pode ler-se ainda na nota, que não especifica quais as autarquias em causa. Fonte ligada ao processo adiantou que a outra Câmara onde foram feitas buscas é a de Odivelas.

As buscas em questão, avançou esta manhã a CNN Portugal, também envolvem o presidente da Câmara de Oeiras, Isaltino Morais, bem como o pai de Rodrigo Gonçalves, Daniel Gonçalves, que é presidente da Junta de Freguesia das Avenidas Novas (Novos Tempos - coligação liderada pelo PSD), em Lisboa.

De acordo com o canal, a mulher de Rodrigo Gonçalves exerce funções no departamento jurídico da Câmara de Odivelas. Segundo a CNN Portugal, estão também em causa esquemas com contratações fictícias de prestações de serviços para autarquias, com vista à apropriação ilícita de dinheiros públicos para proveito pessoal e para o financiamento de estruturas do PSD através dos chamados sacos azuis.

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