"Um caldo para extremismos." Meloni "não tem competências ou apoios" para governar Itália

No programa da TSF e da CNN Portugal O Princípio da Incerteza, as eleições italianas foram um dos temas em cima da mesa. Segundo os resultados parciais, a coligação de direita e extrema-direita, liderada pelo partido de Giorgia Meloni, obteve 44,16% dos votos.

Alexandra Leitão, antiga ministra do PS, afirmou que a vitória da extrema-direita de Giorgia Meloni levam a uma reflexão sobre o que está a acontecer nas democracias na Europa. Os resultados eleitorais na Itália estiveram em análise no programa da TSF e da CNN Portugal O Princípio da Incerteza.

"Tudo aponta que Giorgia Meloni vai ser convidada a formar governo e que tem uma coligação de apoio que lhe permitirá formar governo, o que significa uma viragem à extrema-direita", indica Alexandra Leitão, recordando que Meloni é "admiradora de Benito Mussolini".

"Aquilo que temos aqui é a terceira economia da União Europeia, um país fundador da CEE, a ser dirigido pela extrema-direita. Tem uma causa direta que tem a ver com o sistema eleitoral, que mudou e criou círculos uninominais, onde a coligação aparentemente teve um excelente resultado, mas mais importante do que estas razões são as razões que nos obrigam a olhar para tudo o que está a acontecer na Europa e que, infelizmente, não está a acontecer só em Itália, explica, questionando: "Até que ponto é que as democracias estão a permitir, pelos erros que cometem e pelas circunstâncias, que se crie um caldo para que este tipo de extremismos apareçam?"

Alexandra Leitão aponta o retrocesso civilizacional com reflexos nos direitos dos migrantes.

"Estes extremismos acabam por se sedimentar e apelar a pessoas que se sentem excluídas de uma certa economia, de uma certa sociedade, mas depois são os direitos civis, políticos, das minorias, dos migrantes, que são totalmente arrasados. Isso preocupa-me pelos retrocessos civilizacionais que a eclosão destes extremismos de direita vai, seguramente, trazer em países como a Suécia, França, agora na Itália. Em Portugal, também temos o nosso processo a acontecer", lamenta.

Já Pacheco Pereira diz que no caso de Itália houve sempre movimentos fascistas desde a Segunda Guerra Mundial e considera que a União Europeia tem responsabilidades.

"Vejo com preocupação o que se está a passar no Partido Popular Europeu, que está de alguma maneira já a abrir caminho ao governo italiano, centrando-se apenas na questão de dizer "não toquem na Europa". A UE tem imensas responsabilidades no que aconteceu e as questões da imigração são questões básicas para todos estes movimentos e que os governos não têm sabido defrontar", defende.

António Lobo Xavier vai mais longe e diz que a população elegeu uma candidata que não vai estar à altura para governar Itália.

"Aquilo que mais me preocupa nos resultados de Itália é a impreparação destas candidaturas populistas. A senhora Meloni é ignorante, é incapaz do ponto de vista de formação do governo. A Itália acaba de escolher uma primeira-ministra que não tem, objetivamente, um percurso que permita augurar alguma coisa de positivo para a Itália, não tem competências, não tem percurso, não tem apoios nem uma estrutura de apoio no partido que lhe dê alguma garantia de que aquele partido, com estes resultados eleitorais, vai ter um governo que proteja a Itália das ameaças que tem no horizonte", sublinha.

De acordo com resultados parciais, a coligação de direita e extrema-direita - liderada pelo partido Irmãos de Itália e que reúne ainda a Liga, de Matteo Salvini, e o partido conservador Força Italia, de Silvio Berlusconi - obteve 44,16% dos votos nas legislativas.

O bloco de centro-esquerda, liderado pelo Partido Democrático, de Enrico Letta, deverá ter 26% dos votos.

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