"Um ciclo que se encerra." Cristina Rodrigues não será candidata às legislativas

A deputada não inscrita diz sentir "uma enorme gratidão" por ter tido a possibilidade de representar as pessoas.

A deputada não inscrita Cristina Rodrigues anunciou, esta segunda-feira, que não será candidata às próximas eleições legislativas, prometendo, no entanto, que irá manter o ativismo que sempre exerceu pelas causas que defende.

"Despeço-me agora da atividade política ativa. Tomo esta decisão com a certeza que fiz o meu melhor para estar à altura do cargo que exerci, sentindo uma enorme gratidão por ter tido a possibilidade de representar as pessoas. Este é um ciclo que se encerra, no entanto, enquanto cidadã manterei o ativismo que sempre exerci pelas causas em que acredito", afirmou a deputada, em comunicado enviado à TSF.

Cristina Rodrigues fez um balanço positivo do seu mandato, destacando "as alterações feitas ao Código Penal no sentido de incluir a violência patrimonial no crime de violência doméstica, a aprovação do estatuto de vítima para as crianças, a aprovação da lei de Bases do Clima, a alteração ao Código do Trabalho no sentido de aumentar os dias de luto pela perda de um filho, bem como no sentido de assegurar o direito à desconexão profissional e o fim da discriminação na dádiva de sangue".

No que toca às recomendações aprovadas, a deputada não inscrita reconheceu que "foram muito importantes", sublinhando "a melhoria da educação sexual nas escolas, a criação de quartos ou alas específicas em caso de perda gestacional e as medidas de combate à pobreza menstrual que preveem a distribuição gratuita de produtos menstruais em escolas, universidades, centros de saúde, junto das associações que prestam apoio a pessoas sem-abrigo".

Noutro plano, a deputada não inscrita lamentou que "a iniciativa que previa o aumento do prazo de prescrição para denunciar crimes de abuso sexual de crianças, apesar de aprovada na generalidade não ter conseguido fazer o restante processo legislativo, tendo caducado com a dissolução da Assembleia da República".

Relativamente às iniciativas não aprovadas, Cristina Rodrigues lamentou também que "ainda não tenha sido possível dar um passo importante na criminalização dos maus tratos a todos os animais, na proteção das mulheres tornando o crime de violação um crime de natureza pública".

"Ficou por se efetivar o reconhecimento do direito ao luto na Perda Gestacional, não se conseguiu debater os projetos relativos à criminalização da violência obstétrica ou da proibição das "terapias" de reconversão", acrescentou.

"Entrei na política por mero acaso, mas com um propósito, defender causas. Durante os dois anos que fui deputada, mas especialmente neste último, tentei sempre estar próxima das pessoas, ouvir as suas preocupações e usar o cargo que desempenhei para lhes poder dar voz. Julgo que esse foi um desafio conseguido, embora interrompido pela dissolução da Assembleia da República", referiu ainda a deputada que submeteu mais de 100 iniciativas e cerca de 200 perguntas e requerimentos.

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