Investigadores do Porto recebem 2,5 milhões de euros para investir em engenharia de biofilmes

A Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto conseguiu 2,5 milhões de euros para investigar biofilmes, comunidades de microrganismos que estão na origem de muitas infeções crónicas.

A verba é atribuída pela Comissão Europeia e irá permitir criar um grupo de investigação de excelência em engenharia de biofilmes. Esta é a primeira ERA Chair liderada pela FEUP.

Nuno Azevedo, que lidera a equipa da Faculdade de Engenharia, começa por explicar o que são biofilmes e de que forma estão presentes no dia a dia de todos. "Biofilmes são comunidades de microrganismos que estão aderidos a superfícies, a interfaces. Por exemplo, quando temos uma infeção crónica muitas vezes está associada à formação de biofilmes. Os microrganismos como estão todos numa mesma superfície conseguem suportar melhor antibióticos. Este é um problema da saúde, mas na realidade existem em vários locais, como a indústria e podem levar a problemas na indústria ou no ambiente, mas também podem ser usados para resolver esses problemas, por exemplo, ser usados para tratar águas residuais. "

O projeto financiado pela Agência Europeia de Execução para a Investigação vai permitir desenvolver novos métodos que caracterizam os biofilmes com um detalhe até agora inatingível, diz o investigador Nuno Azevedo. "A ideia principal é conseguir modelar esses biofilmes, conseguirmos colocar microrganismos na localização correta dentro de comunidades de biofilmes. No caso de infeções seria eliminar microrganismos patogénicos, nos casos ambientais seria garantir que os microrganismos que eliminam nutrientes de águas residuais estejam lá presentes. Este projeto centra-se sobretudo em desenvolver metodologias que permitam obter esta modelação de biofilmes de uma forma mais assertiva".

A Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto acaba de receber 2.5 milhões de euros para criar um grupo de investigação de excelência em engenharia de biofilmes e vai contar com a colaboração de Darla Goeres, do Centro de Engenharia em Biofilmes da Universidade Estadual de Montana nos EUA, considerada uma referência mundial nesta área.

Calcula-se que 80% das infeções microbianas resultem da resistência dos biofilmes bacterianos, o que representa cerca de 100 mil mortes anuais só nos EUA.

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