"A bem da qualidade de vida." Zero quer próximo ministro do Ambiente com mais peso político

Presidente da Zero fez o balanço de 2021, assinalando os aspetos positivos e negativos no que toca à sustentabilidade em Portugal.

A associação ambientalista Zero apresenta esta segunda-feira o balanço de 2021 no qual são sublinhados seis factos positivos, entre eles a aprovação da lei de bases do clima e o encerramento das duas centrais a carvão, em Sines e no Pego. Mas há também seis factos negativos, como os investimentos com impacto ambiental e climático negativo previstos no Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) ou a falta de estratégia do Plano Estratégico da Política Agrícola Comum para Portugal. E não se fica por aqui. O documento da Zero lança ainda outros seis desafios para o próximo ano.

Nos estúdios da TSF esta manhã, em entrevista com Fernando Alves, o presidente da Zero, Francisco Ferreira explicou porque é que incluíram a Barragem do Pisão, no Crato, entre os factos negativos.

"Porque continuamos numa lógica de investimento numa agricultura intensiva com a desculpa dos chamados fins múltiplos e, efetivamente, é isso que nós, do ponto de vista da sustentabilidade, acabamos por sentir em Portugal. Continuamos numa agricultura que não olha para as questões ambientais nem para as questões sociais e temos que mudar. É assim que o Alentejo tem vivido nos últimos anos depois de Alqueva e o litoral alentejano também é marcado por esta realidade", explicou Francisco Ferreira.

Para o responsável pela associação ambientalista é necessário mais peso político por parte do Ministério do Ambiente e uma visão mais integrada nas políticas transversais, algo que só foi conseguido com a Lei do Clima e os objetivos da descarbonização.

"Noutras áreas não tem sido completamente conseguido. Se queremos uma economia de bem-estar, a bem da qualidade de vida e do ambiente, precisamos realmente de um peso maior, à escala de um ministro de Estado nesta área do ambiente e da coordenação política", defendeu o presidente da Zero.

Com a campanha eleitoral à porta, a Zero tem metas para o próximo ano e espera que os partidos coloquem as questões ambientais na agenda.

"Temos esperança que sim e estamos disponíveis para discutir com os partidos porque são propostas que não têm apenas a ver com os próximos anos, mas com algo que achamos que é fundamental que é este olhar para uma política que mude radicalmente aquilo que se pretende de Portugal. Conseguirmos antecipar a nossa descarbonização, cumprirmos efetivamente aquilo que está previsto no Acordo de Paris e olharmos para a sustentabilidade como algo que tem de ser efetivamente construído", afirmou Francisco Ferreira.

Em tempo de pensar nos desafios para 2022 e nos balanços de 2021, a Zero refere também que entre o que é preciso melhorar está a estratégia nacional de combate à pobreza energética e ao ruído, que simplesmente não existem.

"A estratégia nacional de combate à pobreza teve a sua consulta pública e é um elemento essencial. Sabemos que valores aproximados de diferentes grupos de investigação apontam para dois milhões de portugueses em pobreza energética, quer no frio quer no calor. Portanto, precisamos realmente de muito mais incentivos estruturantes para mudar uma habitação que não permite o conforto térmico e leva as pessoas a sofrerem nas alturas destes extremos climáticos. O ruído é também fundamental, precisamos de ter uma estratégia. Há muitas autarquias que não têm mapa de ruído, onde ultrapassamos os valores e não estamos a tomar medidas", acrescentou.

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