"A saudade é imensa." O ensaísta Eduardo Lourenço morreu há um ano

O filósofo José Gil, o padre Anselmo Borges e a escritora Lídia Jorge recordam na TSF o amigo e "insubstituível" Eduardo Lourenço, que morreu no ano passado, aos 97 anos.

Faz esta quarta-feira exatamente um ano desde a morte de Eduardo Lourenço. O filósofo partiu, mas a obra e as saudades ficaram.

Ouvido pela TSF, o também filósofo José Gil considera que Eduardo Lourenço fez e continua a fazer muita falta neste ano que passou.

"Eduardo Lourenço fez falta durante um ano. Com a morte de Eduardo acabaram as grandes referências ideais, um certo nível de discussão sobre nós próprios, a nossa cultura, o nosso destino. É claro que nos últimos anos ele já não falava muito, mas agora desapareceu", afirma. "Faz falta essa voz, faltou e falta cada vez mais uma voz pertinente em Portugal", acrescenta.

Anselmo Borges, padre católico, professor universitário e ensaísta, recorda o amigo que uma vez também lhe disse que às vezes lhe acontecia rezar.

"Éramos amigos, ele fazia o favor de ser meu amigo", admite, em declarações à TSF. Anselmo Borges aponta que "o professor Eduardo Lourenço dizia muitas vezes: 'Eu só sei fazer uma coisa: pensar'". "Foi isso que ele nos ensinou, aquilo que mais falta faz hoje é pensar."

"Pensar cura, ajuda a curar", refere, recordando que Eduardo Lourenço lhe disse que "às vezes" lhe acontecia rezar. "Ele admirou-se e disse-me: 'Todos os homens, todas as pessoas rezam'", lembra.

Também à TSF, a escritora Lídia Jorge, amiga e admiradora de Eduardo Lourenço, confessa que também tem saudades de todos os dias.

"A saudade é imensa, não quero dizer que não haja hoje outras vozes que se elevem com bastante altura", começa por dizer, sublinhando, no entanto, que "de facto o Eduardo deixa uma obra imensa, enorme, variadíssima".

"Além de tudo isso, há uma coisa que é única nele: um temperamento festivo, de alguém que parecia ao mesmo tempo quase infantil, com vontade de acorrer, de interpretar, de estar em todo o sítio, e essa presença dele tinha alguma coisa de superior", diz. "Continuo a ouvir a voz dele: sábia e sorridente. É insubstituível."

O ensaísta Eduardo Lourenço morreu no ano passado, aos 97 anos, em Lisboa. Professor, filósofo, escritor, crítico literário, ensaísta, interventor cívico e conselheiro de Estado, Eduardo Lourenço foi um dos pensadores mais proeminentes da cultura portuguesa. O escritor recebeu distinções como o Prémio Camões e o Prémio Pessoa.

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