Aviões avariados. Bombeiros dizem que Governo devia ter acionado mecanismo europeu

Um dos Canadair já está operacional e a combater o incêndio que lavra na Serra da Estrela. À TSF, o autarca de Gouveia adianta que vai pedir explicações ao Governo sobre a alegada "descoordenação" no terreno.

Um dos aviões Canadair que estava avariado já está operacional e a ajudar no combate ao incêndio que lavra, desde sábado, na Serra da Estrela. A informação foi confirmada à TSF por fonte da Proteção Civil. O segundo Canadair ainda está em manutenção.

A avaria de um dos aviões Canadair é, para o presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses, uma situação preocupante. À TSF, António Nunes sublinha que os Canadair são os que têm maior capacidade de transportar água, pelo que estas avarias podem comprometer a capacidade dos dispositivos de combate aos fogos.

"Todos os meios aéreos que foram contratualizados, na sua inoperatividade podem ter uma implicação maior ou menor na ajuda que fazem aos bombeiros no combate aos incêndios florestais. No caso particular dos Canadair, consideramos a situação um pouco mais preocupante porque são os únicos aviões que estão disponíveis para o combate aos incêndios florestais com elevada capacidade de água e, por isso, a sua ausência por alguns momentos como já ocorreu ou durante um período mais alargado é, naturalmente, uma situação que pode não comprometer um incêndio em especial, mas comprometer a capacidade do dispositivo na sua globalidade para poder fazer o apoio ao combate aos incêndios florestais", explica.

António Nunes defende que o Governo já devia ter acionado o mecanismo europeu de combate a incêndios, mas o presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses alerta que a resposta deste mecanismo pode não ser imediata.

"O mecanismo é de apoio voluntário, não é um mecanismo de apoio obrigatório e não há meios que estejam afetos ao reforço de meios de cada um dos países que, face àquilo que é a avaliação do risco e à capacidade operacional, dão resposta. Daí que a Liga dos Bombeiros Portugueses tem vindo a ter muitas dúvidas sobre a questão de uma constituição de uma frota europeia de combate aos incêndios florestais, baseada na disponibilidade que, em cada momento, é avaliada por cada um dos membros e é dentro dessa disponibilidade que se faz a sua cedência temporária", afirma, sublinhando que "outra coisa seria de que houvesse uma frota europeia que seria deslocada para cada um dos seus estados membros de acordo com o risco, a vulnerabilidade e os bens que estão em causa".

"Não sei se esse mecanismo foi ativado ou não, se foi ativado, pelos vistos, não tivemos resposta de nenhum parceiro, porventura por incapacidade desses parceiros, se não foi, eu diria que deveria ter sido", considera.

Autarca de Gouveia vai "solicitar respostas" ao Governo sobre eventual descoordenação no terreno

Já o presidente da câmara de Gouveia e presidente da Comissão intermunicipal das Beiras e Serra da Estrela vai pedir explicações ao Governo sobre a alegada descoordenação no combate ao fogo que começou, na madrugada de sábado, na Covilhã.

Em declarações à TSF, Luís Tadeu Marques afirma que vai "solicitar respostas", porque "as pessoas não percebem como é que há meios, nomeadamente máquinas de rasto que estão paradas quando há bombeiros e comandantes de bombeiros a solicitá-las. Ainda esta madrugada aconteceu e as máquinas não foram desmobilizadas".

"Alguma coisa está errada. As máquinas estão paradas, mas não são disponibilizadas quando é necessário para fazer trabalhos tão importantes não só para o ataque ao incêndio, mas para que o próprio ataque possa ser efetuado de forma mais segura a quem o está a fazer", assinala.

Luís Tadeu Marques explica que, durante a noite, foi surpreendido pela retirada de bombeiros dos locais que tinham sido planeados e sem qualquer informação do posto de comando.

"Fui informado na reunião que houve ontem no posto do comando que foi estabelecido, por volta das 20h00, em Folgosinho, e ficaram acertadas as equipas que estavam alocadas a estes respetivos pontos. Posteriormente, foram mandadas retirar. Por quem, não sei, mas o que é certo é que quem as retirou não informou nenhum posto de comando para que houvesse a disponibilidade de procurar, pelo menos, alguém para controlar ou vigiar aqueles locais. Tivemos que andar a correr, aflitos, a encontrar alternativas para mandar para lá e por lá, novamente, bombeiros", refere.

Seis dias depois, este é o incêndio que continua a concentrar o maior número de bombeiros. A página da Proteção Civil indica que estão no terreno mais de 1500 operacionais, apoiados por 482 viaturas e oito meios aéreos.

De acordo com as últimas informações, o fogo já está dominado do lado da Covilhã, sendo que a preocupação agora está centrada nos concelhos de Manteigas, Guarda e Gouveia, no distrito da Guarda.

Recomendadas

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de