"Corte de relações comerciais." Focos de gripe das aves em Portugal trazem "danos colaterais"

A Direção-Geral de Alimentação e Veterinária assegura que, para já, não há risco para a saúde pública. No entanto, os surtos de gripe das aves podem trazer constrangimentos às exportações portuguesas.

A diretora-geral de Alimentação e Veterinária, Susana Pombo, admite que os surtos de gripe das aves registados em Portugal podem ter efeitos nas exportações. Só este mês, foram detetados dois focos de gripe aviária no país: o primeiro em Palmela, numa criação de galinhas, e o segundo em Óbidos, numa exploração de perus. Os planos de contingência foram ativados, o que implicou a inspeção dos locais e das explorações pecuárias em redor, e a situação foi reportada à União Europeia e à Organização Mundial de Saúde Animal.

De acordo com a Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV), no primeiro foco, todas as amostras recolhidas na zona envolvente revelaram-se negativas, pelo que, se não for encontrado mais nenhum caso, o foco será dado como encerrado ao fim de 30 dias desde a deteção. Quanto ao segundo foco, estão agora a ser recolhidas amostras -- já foram colhidas mais de 900 -- num raio de 10 quilómetros da exploração de perus afetada, que tinha cerca de 18 mil animais. Todos foram abatidos e os respetivos criadores indemnizados.

Em declarações à TSF, Susana Pombo reconhece que os casos trazem constrangimentos às relações comerciais. "Neste momento, aquela zona de restrição, que está desenhada, não pode exportar, seja para outro Estado-membro [da União Europeia] seja para um país terceiro. Há restrições comerciais. O que acontece é que acaba por haver outros países que cortam relações comerciais com o nosso país, independentemente de ser apenas aquela a zona de restrição", explica a diretora-geral de Alimentação e Veterinária. "Isto acaba por ter danos colaterais e danos comerciais bastante avultados para as empresas agrícolas.

Para já, não estão previstas outras compensações, mas Susana Pombo admite que o Ministério da Agricultura poderá vir a criar apoios para os produtores, se a situação se agravar. Até porque, refere, a migração de aves para a Europa está a permitir a circulação viral e a aumentar o risco. Só na última semana, mais de 100 mil galinhas morreram, na República Checa, com gripe das aves. Em Israel, foram mais de 5 mil as aves vitimadas pela doença, levando ao abate de centenas de milhares de animais

"Estamos numa altura de grande disseminação, há um elevado risco de gripe aviária de alta patogenicidade no nosso país, à semelhança do que se passa noutros Estados-membros [da União Europeia], e, por isso, é muito importante haver medidas de vigilância ativa", de modo a haver uma deteção precoce de casos, sublinha.

A diretora-geral de Alimentação e Veterinária assegura, apesar de tudo, que não há perigo para a saúde pública. "Até ao momento, não há motivos para preocupação, uma vez que, pela via alimentar, não há nenhuma evidência de que haja risco".

"Apesar de a grande maioria dos Estados-membros [da União Europeia] ter a doença identificada, não há nenhum caso reportado em humanos até agora. Não há motivos para que a população fique alarmada", garante Susana Pombo.

"Desde o primeiro momento que a Direção-Geral da Saúde tem estado a colaborar connosco e, por isso, nós já estamos no terreno para poder identificar precocemente todas as situações que possam ser suspeitas", acrescenta.

Nesta altura, frisa a Direção-Geral de Alimentação e Veterinária, o importante é proteger as criações e prevenir novos focos. Para isso, os criadores devem estar vigilantes, especialmente em zonas de risco (como junto à água), manter a higiene das instalações evitar e garantir que aves selvagens não contactam com as aves domésticas.

A DGAV apela ainda que sejam alertadas as autoridades sempre que forem encontradas aves mortas.

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