Ecopontos florestais de Viseu alimentam central de biomassa durante três dias

Os dois primeiros ecopontos florestais de Viseu entraram em funcionamento no verão de 2019 em Bodiosa e Barreiros Cepões. Dois anos mais tarde foi inaugurado um terceiro em Côta. Calde deve receber este ano o quarto espaço do género.

Os resíduos florestais e agrícolas armazenados no último ano nos três ecopontos florestais de Viseu já permitiram à central de biomassa do concelho produzir eletricidade durante três dias. Os espaços têm cada vez mais utilização.

O primeiro ecoponto a abrir foi o que fica localizado em Bodiosa, sendo também este o mais procurado. O equipamento, com cinco mil metros quadrados, já encheu por três vezes. Tem sempre a porta aberta.

Empresas de jardinagem e particulares procuram-no para depositar resíduos florestais e agrícolas. No monte, de grandes dimensões, que se encontra no centro do ecoponto, são deixados restos de mato, podas, paletes e até toros de couves.

"Viemos descarregar aqui o lixo das podas. Agora como não se pode queimar dá jeito para depositarmos aqui os resíduos", disse à TSF Gonçalo Costa, funcionário de uma empresa de jardinagem, após ter realizado mais uma descarga na infraestrutura.

Quando há mais trabalho, a empresa onde este jovem presta serviços chega a fazer uma descarga diária no espaço.

Até à abertura do ecoponto em julho de 2019 os restos florestais eram depositados num terreno.

"Metíamos [tudo] num monte e ia decompondo. Aqui é mais fácil porque não temos que estar a lidar com os resíduos", salientou.

Gonçalo Costa não sabe dizer ao certo quantas carradas já levou ao ecoponto florestal de Bodiosa. Estima já ter deixado na infraestrutura várias toneladas de material resultante de podas e de limpezas de jardins.

Tal como a empresa onde Gonçalo trabalha, também muitos particulares de Bodiosa e de localidades vizinhas passaram a utilizar o equipamento.

O presidente da junta de Bodiosa, Rui Ferreira, faz um balanço positivo dos mais de dois anos e meio de funcionamento do ecoponto florestal.

"Até superou as expectativas que tínhamos inicialmente", confessou o autarca, acrescentando que o espaço já foi "despejado por três vezes".

"No primeiro ano foi só uma vez, em 2021 vieram por duas vezes, o que perfaz um total de 600 toneladas de matéria para utilização na biomassa", referiu.

Com a seca que atinge a região e o país, a infraestrutura revela ter ainda mais importância uma vez que pode ajudar na redução do número de incêndios florestais. Quem limpa os seus terrenos tem agora um espaço onde deixar os restos florestais, pelo que já não precisa de realizar queimas ou queimadas.

"É uma mais-valia porque possibilita às pessoas que não tenham que queimar e correr os riscos inerentes a isso por causa dos incêndios", apontou Rui Ferreira.

Para além de Bodiosa, também as freguesias de Barreiro Cepões e Côta já têm ecopontos florestais. De Barreiro Cepões já foram retiradas 170 toneladas. O equipamento de Côta foi inaugurado no último verão, pelo que ainda não foi despejado.

Até ao final do ano deve nascer um quarto ecoponto florestal na freguesia de Calde.

É a Central de Biomassa de Viseu que vai buscar os restos florestais aos ecopontos existentes.

Por 200 toneladas paga em média dois mil euros, dinheiro usado pelas juntas em investimentos nas respetivas freguesias.

O material lenhoso é triturado no próprio ecoponto e depois segue para a central onde é transformado em eletricidade.

"Essas toneladas se entrassem todas em conjunto diríamos que se calhar em dois a três dias abasteceriam a central", adiantou à TSF Ângelo Cardoso, engenheiro da central, que começou a produzir energia em dezembro de 2019.

A empresa produz a cada hora eletricidade suficiente para abastecer 35 mil casas.

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