Feira do Fumeiro volta a ter público para defender economia de Montalegre

Experiência na Internet não correu mal o ano passado, mas os produtores preferem ter contacto com os clientes. Medidas de segurança foram reforçadas.

As últimas horas antes da abertura da Feira do Fumeiro de Montalegre foram passadas a pendurar presuntos, cabeças, barrigas e pés de porco nos stands do pavilhão Multiusos. Chouriças, salpicões e outros enchidos ficam em baixo, mas longe do toque e dos narizes dos visitantes. É a nova versão do grande certame da vila barrosã, outra vez em formato presencial.

"É um ato de defesa da economia do concelho", resume o vice-presidente da Câmara Municipal de Montalegre, David Teixeira. "Uma responsabilidade partilhada com os produtores e a associação que os representa", pois, salienta, "há a necessidade de estas economias mais frágeis terem novamente o seu mercado de fumeiro". Neste concelho começa esta quinta-feira, às 16 horas, e termina no próximo domingo.

Apesar de os números da pandemia de Covid-19 estarem a crescer diariamente, David Teixeira rejeita dramatismos. Na sua opinião, "nos grandes centros comerciais há todos os dias mais gente do que aquela que a feira do fumeiro vai ter em quatro dias".

Os produtores agradecem o arrojo, mesmo que a venda de fumeiro através de uma plataforma na Internet, lançada o ano passado como alternativa à não realização da feira presencial, nem tenha corrido mal. "Dá para vender um, dois ou três quilos de cada vez, mas não é a mesma coisa", diz Maria do Céu Sampaio, que prefere olhar os clientes nos olhos, nomeadamente aqueles que já sabe que lhe vão aparecer no stand. Outros irão a casa. A mais outros irá continuar a satisfazê-los através do envio da encomenda por correio. "Ainda ontem enviei 35 quilos para o Algarve", sorri.

Idalina Pereira é outra produtora a quem a experiência online correu bem, dentro do contexto de pandemia, mas prefere a feira presencial. Por isso exultou quando se decidiu avançar. "Tínhamos a expectativa de que Montalegre não nos iria deixar mal. Queremos trabalhar", refere, acrescentando que "se todos colaborarem", no cumprimento das regras de higiene e segurança, "vai correr bem".

José Maria Pereira ainda hesitou em aderir este ano, tendo em conta os números da pandemia, mas em conversa com outros produtores lá se decidiu. Pesou também o receio de que a feira acabasse de vez, pois "não se tendo realizado o ano passado, se este ano também não acontecesse, podia começar a morrer".

Também conhecida como "São João das chouriças", a feira tem "regras de segurança muito apertadas", salienta David Teixeira. O autarca frisa que todos os expositores e outras pessoas que estejam em contacto com o público "vão fazer testes à Covid-19". Há circuitos "para que os clientes não se cruzem", a maior parte dos produtos "estão embalados" e o "uso de máscara é obrigatório", entre muitas outras medidas. Os visitantes têm de apresentar "certificados de recuperação ou de vacinação". Também haverá "a possibilidade de fazerem testes no recinto da feira e nas farmácias da vila".

Na Feira do Fumeiro de Montalegre participam 50 expositores de fumeiro, oito de produtos tradicionais (uma tonelada de mel, 100 quilos de compotas, mil quilos de pão, bicas de carne e folares, e 100 litros de licores), dois de vinhos e dois de artesanato.

Não obstante a feira presencial, a plataforma na Internet que foi criada o ano passado para vender o fumeiro de Montalegre continua online em www.fumeirodemontalegre.pt. O transporte e envio do fumeiro são assegurados pela Associação de Produtores de Fumeiro da Terra Fria Barrosã.

Os preços estão tabelados para todos os produtores. Um quilo de presunto inteiro com um ano de cura custa 16 euros. Se tiver dois anos, o custo aumenta para 19 euros. No caso do presunto desossado, com um ano de cura o quilo custa 25 euros e se tiver dois passa para 27 euros. A chouriça de carne vale 23 euros por quilo, a alheira 15, o salpicão 30, o chouriço de abóbora e a sangueira 11 euros. Se os produtos forem certificados com Indicação Geográfica Protegida acresce mais um euro ao preço por quilo.

A Feira do Fumeiro de Montalegre é a única das três grandes feiras portuguesas deste setor agroalimentar que se realiza, este ano, em formato presencial. A de Boticas foi cancelada na semana passada e passou para a Internet. A de Vinhais também só vai ser realizada online, entre 1 e 28 de fevereiro.

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