"Fez uma grande obra." Marcelo vai condecorar fundador da Academia do Johnson a título póstumo

Presidente da República contou à TSF como conheceu bem Johnson Semedo.

Marcelo Rebelo de Sousa conheceu bem Johnson Semedo, o fundador da Academia do Johnson que morreu esta quarta-feira, e acompanhou-o no terreno. À TSF, o Presidente da República revelou que vai condecorar o mentor de crianças e jovens a título póstumo por ser um exemplo de cidadania.

"Ainda há três dias, no domingo passado, foi possível aplaudir, agradecer, testemunhar o carinho, o reconhecimento, de forma presencial, de alguém que fez uma grande obra num município que sabemos que, como tantos outros neste país, é marcado por problemas de exclusão social. A sua obra foi virada para crianças e jovens, usando o desporto para a inclusão na sociedade portuguesa. Era alguém que se fez a pulso, que neste final de vida muito dramático. Mesmo assim continuou a lutar, até ao último instante, por aquilo que é uma afirmação de cidadania exemplar na sociedade portuguesa. Já tencionava, naturalmente, reconhecer isso devidamente, em termos honoríficos. Só não foi feito antes - gosto de o fazer em vida e não a título póstumo - precisamente porque esperava pelo epílogo da atribuição do prémio. É daqueles projetos que, com menos meios, conseguia fazer mais", revelou à TSF, emocionado, Marcelo Rebelo de Sousa.

Pedro Calado, que foi Alto Comissário para as Migrações, era amigo de Johnson Semedo e, agora, lembra a sua vida, marcada pelo tempo que passou na prisão.

"Teve um início de vida bastante atribulado. Um jovem com um percurso difícil, que passou inclusivamente pela reclusão, mas a dada altura transformou essa energia em algo positivo para ele, para a sua comunidade e criou um projeto extraordinário que vinha, e espero que assim continue, a mudar a vida de tantos outros jovens que, como ele, nasceram do lado errado das oportunidades da vida. Criou a Academia do Johnson, um projeto extraordinário em bairros da Amadora que tive o gosto, várias vezes, de visitar e acompanhar. Era uma pessoa extraordinária e o meu desejo, num dia destes, obviamente lamentando a perda também de um amigo, é que este legado possa continuar e que o coração gigante do Johnson possa continuar a perdurar na nossa memória, mas também nas nossas ações. É um dia muito triste para quem acredita na mudança vinda de dentro destas comunidades", recordou Pedro Calado.

O antigo Alto Comissário para as Migrações lembra o trabalho de Johnson Semedo na Academia que fundou.

"É um trabalho de um herói praticamente anónimo, daqueles trabalhos invisíveis que acontecem todos os dias nestas comunidades, feito por uma pessoa da comunidade mas que não queria os holofotes. As grandes medalhas do Johnson, e ele ia partilhando regularmente algumas, era quando conseguia encaminhar um jovem para o mercado de trabalho e quando conseguia que algum jovem fosse selecionado para um clube ou seleção. Eram estas as medalhas que ele ia partilhando diariamente, estas pequenas conquistas, era isto que o mobilizava. Nestas comunidades tinha um ascendente enorme sobre os jovens, com potencial de inspirar pela positiva. Hoje sentimos frustração porque pessoas como esta fazem muita falta a um país. São muitas vezes o cimento invisível da nossa sociedade", afirmou o ex-Alto Comissário para as Migrações.

Já Carla Tavares, a presidente da Câmara da Amadora, acredita que a Academia do Johnson, um projeto que começou há oito anos, vai continuar e garante que o município tudo vai fazer para que a Academia não acabe.

"O Johnson tem uma equipa muito estruturada no âmbito da Academia. Tudo isto é muito recente e agora também precisamos de perceber como é que os dirigentes da Academia pretendem dar continuidade ao trabalho do Johnson. Naturalmente que a autarquia cá estará para fazer parte de todas as funções de modo a que a Academia do Johnson não deixe de continuar a existir e que o seu trabalho e que o Johnson dedicou à comunidade se continue a concretizar, até porque ele é muito importante na cidade", assegurou Carla Tavares.

A autarca da Amadora sublinha que a Academia do Johnson tem sido uma ajuda para centenas de jovens do concelho. Por isso é um dia triste e Carla Tavares promete, para breve, uma homenagem a João Semedo Tavares.

"Um grande homem que tem um trabalho notável, uma vida dedicada também à inclusão muito através do desporto, com um trabalho muito forte no bairro do Zambujal e também nas escolas da nossa cidade. Por isso é uma perda imensa e neste momento também a cidade da Amadora também está de luto. Não queria deixar de transmitir à família, filhos e amigos as nossas condolências, que o Johnson será sempre uma pessoa muito ligada à cidade e principalmente a todos os jovens com quem foi trabalhando ao longo da sua vida", acrescentou a presidente da Câmara da Amadora.

Inspirador para centenas de crianças e jovens, que há anos apoiava através de atividades desportivas e sociais, João Semedo Tavares ficou conhecido por assumir a sua passagem pela prisão e disso ter feito uma lição de vida, que procurou transmitir.

Nos últimos anos concretizou o seu projeto de apoiar as crianças e os jovens de bairros desfavorecidos, nomeadamente na Amadora, através da educação e do desporto e com a criação da Academia do Johnson.

A associação foi este mês distinguida com uma menção honrosa do Prémio Manuel António da Mota. Johnson Semedo, que se empenhou em fazer a "diferença na vida destes jovens", morreu às 06h00 desta quarta-feira em casa, rodeado da família.

Desde que a notícia da morte de Johnson, como era conhecido, foi conhecida, têm-se multiplicado as mensagens de pesar nas redes sociais, nas quais o seu papel e amizade são recordados por muitos.

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