"Infelizmente a sra. ministra empurrou-nos para a luta." Produtores de alfarroba dizem-se "espoliados"

Os agricultores afirmam que são roubados diariamente de um produto que é o "ouro" do Algarve. Numa resposta enviada à TSF, o Ministério da Agricultura e Alimentação referiu que "está perfeitamente consciente da situação que os produtores de alfarroba descrevem".

Revoltados e fartos de serem roubados, os produtores de alfarroba vão manifestar-se esta sexta-feira ao fim da tarde em frente à câmara de Loulé. Pedem a intervenção urgente do Governo e acusam a ministra de ter há um ano a solução para o caso, sem que nada tenha feito." Nós não queríamos ir para a luta, mas infelizmente a senhora ministra empurrou-nos", afirma o presidente do Agrupamento de Produtores de Alfarroba e Amêndoa (AGRUPA). Horácio Piedade lembra que os roubos começam nos pomares em julho e continuam quando o produto já está armazenado. "Este ano tem sido...chegámos ao fim", lamenta. "Não há agricultor nenhum no Algarve que não tenha sido roubado, isto é um flagelo!" O agricultor conta que quem rouba atua em grupo e leva sacas e sacas de alfarroba dos campos.

Numa reunião há cerca de um ano entre a Direção Regional de Agricultura do Algarve, os produtores, a GNR, a ASAE, a Autoridade Tributária e a Comunidade Intermunicipal do Algarve, foi enviado um documento à ministra da agricultura com sugestões para acabar com os furtos e proteger os produtores deste fruto seco e vertê-las em lei.

Entre outras medidas foi sugerido ao ministério que a legislação devia prever que quem negoceia em alfarroba só a pudesse comprar a agricultores registados. "Só poderiam comprar alfarroba a quem estivesse registado no IFAP" (Instituto de Financiamento à Agricultura e Pescas. "Porque só há roubos porque há quem compre", lembra o agricultor.

Em resposta enviada à TSF, o Ministério da Agricultura e Alimentação referiu que "está perfeitamente consciente da situação que os produtores de alfarroba descrevem", apesar de "já existir quadro regulamentar/jurídico que permite o controlo e fiscalização das transações comerciais de alfarroba (exemplo: todo o transporte de produtos agrícolas tem de ser acompanhado por guia de transporte)".

"O Ministério da Agricultura e Alimentação tem realizado um conjunto de diligências junto das respetivas áreas governamentais no sentido de existir um reforço de patrulhamento e fiscalização, situação que aliás se reflete nas, já públicas, apreensões de significativas quantidades de alfarroba furtada. Estas situações ocorrem apesar de existir abundante legislação que criminaliza o roubo e este persistirá onde existirem indivíduos dispostos a violarem a lei, seja no furto propriamente dito, seja na recetação do material furtado", explica a tutela.

Na opinião do ministério, "mais legislação, avulsa e ignorando todos os outros produtos agrícolas e não agrícolas, apenas conduziria a uma proliferação de imposições que muito prejudicariam a atividade produtiva e a vida das pessoas e empresas."

Este fruto seco começou a ser utilizado mais recentemente não só na indústria alimentar, mas também na farmacêutica e cosmética, por exemplo, e o seu preço de mercado tem subido muito.

Nesta altura está a ser comercializado a cerca de 40 euros a arroba (15 quilos), quando há uns anos o preço pelo mesmo peso não passava dos cinco euros. "Antigamente dizia-se que a alfarroba era o ouro negro do Algarve, hoje diria que é o ouro amarelo", afirma Horácio Piedade.

No entender do presidente da AGRUPA a situação está a chegar ao limite. Afirma que, apesar da GNR e da própria associação aconselharem os agricultores a chamarem as forças policiais quando percebem que estão a ser roubados, muitos já vão para os seus campos com armas para surpreenderem os ladrões. "Isto pode tornar-se uma guerra civil", avisa.

Desde o início do ano a Guarda Nacional Republicana já apreendeu 8 toneladas de alfarroba roubada. Foram detidas cinco pessoas e identificadas 39.

*Notícia atualizada às 11h15

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