Já não há incêndios ativos no país mas "continuam" trabalhos na Serra da Estrela e nas Caldas da Rainha

O comandante da ANEPC, Miguel Oliveira, explica à TSF que enquanto os incêndios "não estiverem completamente extintos", há "sempre a possibilidade" de reacendimentos. Por isso, o dispositivo continua no terreno para os trabalhos de consolidação.

Já não há fogos ativos em Portugal. Os incêndios nas Caldas da Rainha e na Serra da Estrela foram dados como dominados durante a noite e madrugada desta quinta-feira. O dispositivo mantém-se, no entanto, no terreno, para os trabalhos de consolidação.

Em declarações à TSF, o comandante da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), Miguel Oliveira, admite que pode haver reativações, mas nada de preocupante.

"Obviamente que os incêndios, enquanto não estiverem completamente extintos, há sempre essa possibilidade [de reacendimentos], mas, de facto, não estão nas nossas projeções poderem acontecer situações de reativações", afirma, sublinhando que, neste momento, "não é fácil fazer uma previsão temporal" sobre quando é que os incêndios estarão completamente apagados.

"De qualquer das formas continuamos o trabalho para que essa situação aconteça o mais breve possível", assinala.

Quase 1600 operacionais continuam no terreno, na Serra da Estrela e nas Caldas da Rainha. A Proteção Civil volta a reunir-se esta quinta-feira para avaliar a situação. Miguel Oliveira adianta que as medidas para enfrentar a nova vaga de calor, que deve chegar este sábado, estão a ser equacionadas.

"As mudanças que possam vir a acontecer estão a ser devidamente equacionadas no comando nacional e a seu tempo serão dadas a conhecer aos portugueses. Todos os dias temos tido briefings do CCO nacional, portanto hoje será um dia em que existirá esse briefing e fazemo-lo todos os dias, nesta altura em que estamos em alerta para podermos equacionar todas as situações e quais as melhores respostas a dar", explica.

Agora que o incêndio na Serra da Estrela está dominado, os autarcas da região vão reunir-se para avaliar os prejuízos provocados pelas chamas. Ouvido pela TSF, o presidente da câmara da Guarda, Sérgio Costa, pede que se mantenham as cautelas e insiste na declaração do estado de calamidade.

"Já fomos falando quer com membros do Governo quer com dirigentes de alguns institutos nacionais para que possam, no imediato, aprovar um conjunto de medidas pós-incêndios para minimizar o impacto deste incêndio nas linhas de água e nas encostas. Naturalmente que a outro nível vai ser necessário um plano de revitalização de todo o Parque Natural da Serra da Estrela. Nós estamos num verdadeiro estado de calamidade e é isso que estamos a pedir, que seja decretado estado de calamidade. Quando arde mais de 25% da sua área, isto é um verdadeiro estado de calamidade e daí ser necessário um grande plano de revitalização do nosso parque, ao nível da paisagem, da agricultura, das florestas, economia, social e turística", afirma.

Sérgio Costa salienta que, apesar de dominado, todas os cuidados devem ser mantidos, até porque as temperaturas vão subir nos próximos dias.

"A vigilância tem de continuar muito ativa aos mais diversos níveis: seja reacendimentos, seja a própria população a vigiar movimentos estranhos, seja no uso do fogo, seja ao nível das autoridades para reforçarem o mais possível as patrulhas que possam ter no local", defende o autarca.

Os prejuízos ainda estão a ser avaliados, mas as estimativas apontam para centenas de milhões de euros.

"Os levantamentos vão demorar algum tempo a ser feitos, a área é muito grande e extensa e as pessoas ainda estão a recuperar psicologicamente as suas perdas", sustenta, acrescentando que "os prejuízos deverão alcançar algumas centenas de milhões de euros".

Na quarta-feira, à saída de uma reunião com o ministro da Administração Interna para avaliar as previsões meteorológicas para os próximos dias, o presidente do IPMA disse que o país ia enfrentar a terceira onda de calor deste ano a partir do dia 20, sábado.

Depois deste alerta, a Direção-Geral da Saúde (DGS) recomendou a adoção de medidas de proteção adicionais contra o calor, como o aumento de ingestão de água ou de sumos de fruta e aconselhou a população a evitar o consumo de bebidas alcoólicas, assim como a exposição direta ao sol, principalmente entre as 11h00 e as 17h00.

Numa nota divulgada no 'site', a DGS lembra que o IPMA prevê um aumento gradual das temperaturas nos próximos dias e aconselha a procura de ambientes frescos e arejados, ou climatizados.

O uso de roupa solta, opaca e que cubra a maior parte do corpo, de chapéu de abas largas e óculos de sol com proteção ultravioleta são outras das medidas de proteção adicionais recomendadas.

Na informação divulgada na quarta-feira, a DGS aconselha a que se evite "atividades que exijam grandes esforços físicos, nomeadamente desportivas e de lazer no exterior".

Recomenda igualmente que se escolha as horas de menor calor para viajar de carro e pede "atenção especial" aos grupos mais vulneráveis ao calor, como crianças, idosos, doentes crónicos, grávidas, pessoas com mobilidade reduzida, trabalhadores com atividade no exterior, praticantes de atividade física e pessoas isoladas.

Segundo a autoridade de saúde, os doentes crónicos ou sujeitos a medicação e/ou dietas específicas "devem seguir as recomendações do médico assistente ou do centro de contacto SNS 24: 808 24 24 24".

* Notícia atualizada às 11h06

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