Liberdade e ditadura? "É como comparar a Idade Média à Idade da Luz"

À TSF, a cineasta Margarida Gil recorda conquistas dos dias de democracia: "Coisas muito naturais, como beijar na rua" ou não ser "a única mulher" a fazer cinema.

Dos tempos de "solidão completa" no plateau, em que as mulheres eram uma raridade, ao dia 17.500 da democracia, Margarida Gil encontra a mesma distância entre as trevas e a luz.

"É como comparar a Idade Média à Idade da Luz, não tem comparação o que era a vida de uma mulher," lembra a realizadora em declarações à TSF.

Margarida Gil considera que a maior vitória é "sem dúvida, a liberdade e o fim das censuras." Pequenos gestos, "coisas muito naturais como beijar na rua, viajar sozinha, ir a um café fumar, sem ninguém nos aproximar e abordar pensando, enfim, que estamos ali a engatar".

Também na profissão de contar histórias em filmes, Margarida Gil encontra diferenças entre o antes e o depois da democracia: "Ter oportunidades iguais, ou pelo menos pensar que vamos lutar por ter oportunidades iguais às dos homens, é poder filmar, não em solidão completa", diz, lembrando os tempos em que uma mulher "era uma raridade, um caso de estudo" na operação de câmaras de estúdio, som, ou montagem.

"Já não somos a única Mulher, cada vez seremos menos a única mulher", sublinha Margarida Gil.

"Acho que vamos conquistando aos poucos e é só graças a 25 de Abril que isso, não digo que esteja garantido, mas que vai sendo aos poucos uma conquista."

Ao lembrar que "cada ano que passa, cada legislatura, cada lei que se aprova, cada conquista no sentido, por exemplo, de igualdade de salários, de igualdade, de oportunidades, é um passo em frente", a cineasta traça a diferença entre a vida das mulheres de hoje e aquela que existia antes do 25 de Abril.

"Não tem comparação. É impossível explicar uma a miúda que tenha agora 18 anos e que que vem estudar para a faculdade, como isso era difícil para uma equivalente sua, que vivesse numa cidade ou numa aldeia e quisesse vir estudar Ciências, por exemplo, que quisesse ser cientista," lembra Margarida Gil que trocou a Covilhã por Lisboa, aos 17 anos, ainda na década de 60.

Sobretudo para uma mulher do interior, "de Trás-os-Montes, ou da Beira, ou mesmo das cidades, sobretudo nas classes mais baixas", sem acesso à net ou à informação que existe hoje. "É incomparável."

Portugal assinala hoje o momento em que passa a viver mais anos em democracia do que em ditadura.

O dia marca o arranque das comemorações dos 50 anos do 25 de Abril, com uma cerimónia onde vão estar estar presentes, entre outros, o Presidente da República, o presidente do Parlamento e o primeiro-ministro.

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