A discoteca Mome na Avenida 24 de julho em Lisboa, prepara-se para reabrir ao fim de mais de um ano e
vida noturna

No regresso à vida noturna, houve quem não teve confiança para entrar nas discotecas

Em Lisboa, milhares de pessoas aproveitaram a noite de sexta-feira no Bairro Alto, Cais do Sodré, Santos e Docas. Sem máscara e distanciamento, as filas para entrar nas discotecas eram grandes, mas houve muitos jovens que preferiram adiar os planos.

A noite chegou como uma das mais aguardadas dos últimos tempos. Dezoito meses depois, as discotecas já reabriram sem qualquer restrição. E a maioria dos mais jovens não perderam a oportunidade.

Lisboa, sexta-feira, 1 de outubro, 22h30. Por esta hora, a zona do Bairro Alto começava a ganhar vida. No Jardim Luís de Camões, dezenas e dezenas de jovens combinavam os planos para "a noite da liberdade". Ao descer a Rua do Alecrim, até ao Cais do Sodré, notava-se a felicidade do ar. "Só nos queremos divertir", disse Ricardo, estudante universitário que iniciava o seu último ano no curso de Arquitetura. Na rua Rosa, a cor do chão não via, tal era a multidão. Música, gritos e álcool faziam as delícias de quem ali estava.

Pela primeira vez, sem qualquer restrição, as discotecas já tinham autorização para reabrir. Partimos para Santos. Pelo caminho, dentro da estação do Cais do Sodré, sentia-se uma certa azáfama e, quem ali passava, tinha dúvidas quanto ao destino final.

À saída do metro do Cais, surge um casal de jovens recém-formados. A Adelaide e Alexandre quiseram "vir ver como é que a noite estava". São os únicos a usar máscara. "Temos um bocado de receio que esteja imensa gente, mas já combinámos que se nos sentirmos desconfortáveis, vamos embora", confessa à TSF Adelaide, sublinhando que, "embora esteja totalmente vacinada há sempre receio".

Para Alexandre, "ir à discoteca está completamente fora de questão". "Acho que ainda é muito cedo, toda a gente vem para o mesmo. Mas tinha prometido a mim mesmo que se as discotecas abrissem ia ver como era. Mas hoje não é o dia", frisa.

Mas se a Adelaide e o Alexandre não estavam confiantes para passar a noite dentro de um clube noturno, o mesmo não acontecia com a maioria das pessoas que encontrámos em Santos. Junto ao rio, a fila para entrar no Urban Beach já era longa. Mais de 400 pessoas esperavam pela ordem de entrada dos seguranças.

A maioria eram jovens, aguardavam pelas 00h00 para poderem entrar. Com muito álcool e copos pelo chão, o distanciamento era praticamente inexistente. Sentado numa coluna, estavam dois amigos que ainda não sabiam se queriam entrar.

"Simplesmente vim dar uma volta à noite, ver como estava o ambiente. Se estiver bom até pode ser que entre", conta, com a máscara guardada no bolso. "Se entrar vou comportar-me de forma responsável, se estiver com pessoas que conheço talvez não use máscara. Há sempre aquele receio, mas temos de nos começar a adaptar à nova realidade."

Passando para o outro lado da linha de comboio, que atravessa a Avenida 24 de julho, à porta do Mome, centenas de jovens esperavam para entrar. A permissão estava mais atrasada porque só havia dois seguranças a verificar os certificados de vacinação. À boleia de um Uber, chega um grupo de estudantes de medicina dentária. Notam-se entre a multidão porque são os únicos a usarem máscara.

"Somos finalistas, vamos tentar entrar. Pela fila, está difícil e há muita gente sem máscara", lamenta Sara, que afirma que o facto de ser estudante na área da saúde pesa na decisão de estar a usar a proteção individual, apesar de na rua não ser obrigatório.

"Acho que é uma questão de sensibilidade estar com máscara. Apesar do alívio das medidas, acho que é sempre [importante] ter todo o cuidado. Chegámos com uma confiança, olhámos para isto e se calhar vamos recuar nesta missão", afirma o José, que também pertence ao grupo.

Ambos deixaram um conselho aos outros jovens que ali estavam. "Usem máscara e haverá mais noite certamente para poder aproveitar. Esta é só a primeira de muitas."

Um pouco mais acima, no largo de Santos, já a PSP tinha encerrado os acessos. Depois dos distúrbios dos últimos fins de semana, as autoridades adotaram esta postura "por precaução". Ali, os bares, esplanadas e restaurantes estavam completamente cheios. Milhares de jovens aproveitavam a noite muito convidativa para sair.

A Joana e a Sofia, a caminho de casa, não acompanharam os amigos até à discoteca. "Está muita gente. Hoje não. Amanhã é outro dia."

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