Vacina menos eficaz com Ómicron do que com a Delta. Dose de reforço aumenta proteção

Apesar da maior prevalência, o peso relativo (internamentos e óbitos) da nova variante Ómicron é menos elevado. Há vários sinais de menor gravidade da infeção com Ómicron e que o risco de internamento em cuidados intensivos é inferior. A efetividade da vacinação também é menor e o decaimento do efeito de proteção das vacinas é mais rápido, mas esta efetividade é reposta com a dose de reforço, pelo que se pode concluir que há um "padrão diferente nesta onda".

Ana Paula Rodrigues, do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge, considerou esta manhã que há um "padrão diferente" nesta vaga de infeções com a variante Ómicron. A especialista falou, na apresentação dos peritos no Infarmed, sobre a gravidade da infeção com SARS-CoV-2, efetividade da vacinação e possível impacto. A especialista referiu-se à aparente menor gravidade em modelos animais da variante Ómicron, e defendeu que esta de facto se verifica.

Esta fase é caracterizada por um novo padrão de infeções e com novos desafios. Os dados recolhidos quando ainda havia mais desconhecimento acerca da gravidade da doença apontavam para um quinto da probabilidade de internamento, em comparação com a variante delta. Não havia diferença, no entanto, quanto aos riscos na evolução da doença.

Foi registado um maior risco de hospitalização nas crianças e nos adultos com mais de 60 anos, apesar de, na África do Sul e nos outros países, a nova variante ter infetado inicialmente mais os jovens.

Um estudo da Escócia, feito quando não havia ainda casos com mais de 60 anos, revelava que havia um terço de internamentos para a variante Ómicron, comparativamente com o risco da variante delta. Assinalava-se ainda que havia dez vezes mais hipóteses de reinfeção, e uma ausência de diferença de risco entre a variante delta e Ómicron.

Também os norte-americanos estudaram a necessidade de ventilação em caso de internamento, que foi inferior para a variante Ómicron. Nesta análise foram recolhidos estes dados: menos de metade do risco de hospitalização, sem diferenças relativamente aos grupos etários. Em todos os grupos etários, verificou-se que há um menor risco de internamento e ida às urgências.

A especialista nota que não é de admirar que entre os adultos com mais de 60 anos tenham maior risco de internamento, mas assegura que já há alguma imunidade adquirida, por vacinação e contacto.

Dados recentes provenientes de Inglaterra mostram a efetividade da vacinação. Os gráficos apresentados pela especialista comparam esquemas vacinais diferentes e em ambos os casos a efetividade das vacinas é inferior para a variante Ómicron quando comparada com a delta.

Após a dose de reforço, a efetividade, no entanto, chega a 88%. E para evitar as hospitalizações a efetividade é superior a 52%. Acredita-se, no entanto, que o decaimento dos efeitos da vacina contra a Ómicron demore menos tempo a acontecer.

Ana Paula Rodrigues refere que em Portugal há uma seroprevalência muito elevada, devido aos bons métodos utilizados na campanha de vacinação. Em outubro, 86% da população tinha anticorpos contra o coronavírus, e os valores são superiores na população acima dos 70 anos.

Há uma forte relação entre os anticorpos detetados e os anticorpos neutralizantes contra a infeção. Ana Paula Rodrigues assinala que, uma vez que já foi iniciada a vacinação com a dose de reforço, a população mais velha encontra-se mais protegida contra os internamentos. Há uma fasquia de 70% entre os 50 e os 59 anos que ainda não foram imunizadas com a dose de reforço. Entre os mais novos, porém, é esperada uma carga viral superior.

Em resumo, a especialista nota que há vários sinais de menor gravidade da infeção com Ómicron e que o risco de internamento em cuidados intensivos é menor. Já a efetividade da vacinação é menor e o decaimento é mais rápido, mas esta efetividade é reposta com a dose de reforço, pelo que se pode concluir que há um "padrão diferente nesta onda Ómicron", que apresenta uma prevalência elevada mas um peso relativo menor".

"Não significa que passaremos a ter uma infeção ligeira, mas é mais benigna", alerta Ana Paula Rodrigues, que remata dizendo que continua, por isso, a impor-se a manutenção das medidas restritivas.
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