Ordem dos Médicos admite que "há períodos" em que VMER não está disponível em Portalegre

Responsável da Ordem dos Médicos da região de Portalegre defende que o Governo tem de fazer escolhas.

Hugo Capote, o representante da Ordem dos Médicos da região de Portalegre, reconhece que há períodos, especialmente durante a manhã, em que a Viatura Médica de Emergência e Reanimação (VMER) não está disponível.

"A informação que temos aqui ao nível da Ordem, acompanhando este processo muito em cima, é que há períodos da manhã que não são cobertos. Por acaso nesta semana, infortunadamente, este foi o único período da manhã em que a viatura não estava operacional. Não devíamos ter nenhum período inoperacional, devíamos ter este período constantemente disponível para que todos os cidadãos pudessem usufruir dos recursos e dos meios que ele dispõem. Isso, hoje em dia com a organização que temos, não é possível assegurar", explicou à TSF Hugo Capote.

Para o responsável, o Governo tem de fazer escolhas e defende que os serviços de emergência pré-hospitalar devem ser profissionalizados e ter uma estrutura própria, com autonomia, desde logo na gestão dos recursos humanos.

"O Governo deste país e as autoridades de saúde têm de fazer uma opção e têm de perceber, de uma vez por todas, que a organização dos serviços de emergência pré-hospitalares tem de se proporcionalizar e autonomizar completamente. Fica uma estrutura autónoma assegurada por médicos próprios, com um corpo clínico próprio, enfermeiros e meios. Nestas questões é preciso fazer um esforço sério, coerente. Começámos por ter meios de emergência médica pré-hospitalar apenas nos grandes centros urbanos e com muito custo e esforço conseguimos estendê-los a todo o país, a todo o território nacional, e isso é um facto muito importante, que importa realçar. A estrutura que permitiu que isso acontecesse hoje em dia não permite que estes meios estejam disponíveis 24 sobre 24 horas", afirmou o representante da Ordem dos Médicos da região de Portalegre.

É urgente reforçar estas estruturas. Não só em Portalegre, mas em todo o país.

"O que aconteceu neste caso, não quer dizer que se os meios de emergência pré-hospitalar estivessem disponíveis o desfecho tivesse sido outro. A questão é que chegamos ao fim do dia e sabemos que não oferecemos todos os meios e recursos disponíveis. Isso sim tem de nos fazer pensar. É muito importante que as pessoas façam um esforço e distingam as duas situações: nós não vamos salvar nunca todas as vidas, é impossível, devemos é oferecer ao mesmo cidadão de Bragança, Lisboa, Porto ou ilhas os mesmos recursos e meios para que possamos fazer a diferença nas situações em que é preciso", acrescentou Hugo Capote.

Um bebé de oito dias morreu, na quinta-feira, no hospital de Portalegre, depois de o pai da criança ter feito o pedido de socorro às 9h33 e a VMER do Hospital de Portalegre não estar operacional.

A Ordem dos Médicos (OM) exigiu esta sexta-feira que a morte do recém-nascido no hospital de Portalegre, por "alegada falha" no socorro, seja "rapidamente investigada e esclarecida", por configurar "uma situação muito grave".

"A morte deste bebé tem de ser investigada até às últimas consequências para que todas as possíveis falhas sejam rapidamente corrigidas e a confiança da população na resposta de emergência seja restabelecida", disse o bastonário da OM, Miguel Guimarães, em comunicado.

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