"Para salvar o planeta é necessário repensar as cidades"

O livro "A missão das Cidades no Combate às Alterações Climáticas" analisa o papel das áreas urbanas nos problemas de sustentabilidade do planeta e traça estratégias.

Jorge Cristino, especialista em relações internacionais e em questões ambientais, autor do livro "A missão das Cidades no Combate às Alterações Climáticas" afirma que a União Europeia lidera a transição para a justiça climática, mas ainda há muito a fazer.

"Atualmente, e tendo em conta a COP26, vemos muitos dos Estados a assumir compromissos internacionalmente mas não vemos isso repercutido ao nível das cidades. Apesar de muito ser feito não só ao nível das cidades da UE. Mas se projetarmos o que vai ser o crescimento das zonas urbanas no mundo, sobretudo na África Subsariana, temos que ver que nestas cidades dos países em desenvolvimento há uma necessidade de poder transpor o que são as melhores práticas que são feitas nos países desenvolvidos."

Jorge Cristino defende que o caminho passa por "estabilizar um conjunto de indicadores universais na qual os parâmetros ambientais possam ser medidos e permitam medir a performance ambiental das cidades, das organizações e da própria vida enquanto cidadãos. A partir deste momento podemos introduzir ferramentas ao nível financeiro e o livro aponta ferramentas para o que podem ser as cidades do futuro e naquilo que hoje estamos poucos habituados afazer que é o multilateralismo, a cooperação entre estados e cidades no mundo, deixar de ver as cidades como fronteiras".

A população está cada vez mais concentrada nos grandes centros urbanos e o crescimento insustentável do consumo têm levado a um aumento da pegada ecológica sem precedentes. Jorge Cristino defende que a mudança de hábitos vai muito além da questão energética. "Só em Portugal dentro de 10 anos podemos ter 80% da população a viver em zonas urbanas, concertada em apenas duas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto. Este fenómeno repete-se em todo o mundo e no espaço de dez anos passaremos a ter mais 10 cidades com 10 milhões de habitantes. É preciso tornar as cidades mais sustentáveis e a questão da agricultura é fundamental para que consigamos fazer o processo de descarbonização das cidades... não é só nos transportes, na eficiência energética mas acima de tudo naquilo que são os nossos hábitos."

Jorge Cristino acredita que ainda é possível salvar o planeta. "Temos muitos novos hábitos a adotar do ponto de vista da sustentabilidade, não só a nível individual mas das organizações. Este livro a chamada é ao nível das cidades e numa lógica global, não apenas por causa das metas mas a pensar no final do processo. O caminho só se faz se agirmos já, agir já é introduzir ferramentas e ações que devem ser implementadas rapidamente e vê-las repercutidas nos orçamentos das cidades, nos orçamentos dos estados."

O livro "A missão das Cidades no Combate às Alterações Climáticas" é apresentado esta quarta-feira, em Lisboa. A obra tem prefácio do ministro do Ambiente e da Ação Climática, João Pedro Matos Fernandes.

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