Pássaros do Algarve vão instalar-se em dois mil alojamentos locais

A associação ambientalista Vita Nativa propõe-se colocar caixas-ninho em todos os concelhos da região. Aumentar a biodiversidade nas zonas urbanas e controlar pragas são dois objetivos.

A escada metálica é encostada à árvore. É preciso subir e colocar a casinha de madeira lá no cimo. "Ele está a instalar uma caixa ninho para chapins", esclarece João Tomás. "Ele" é Thijs Valkenburg, presidente da associação Vita Nativa que se encontra empoleirado na árvore. Tanto This como João, veterinário de formação, dedicam-se há vários anos ao estudo dos pássaros. Estão em Silves, numa zona urbana, a colocar Alojamentos Locais para aves. Um nome " chamativo" que fez este projeto ganhar uma verba de 150 mil euros no Orçamento Participativo de 2018. O projeto só teve início no final do ano passado e durará 2 anos.

Ao lado deste parque por onde habitualmente a população de Silves faz caminhadas corre o Rio Arade e por ali há bastante passarada. É ali que os dois ornitólogos e ambientalistas estão a aparafusar às árvores pequenas caixas-ninho para que daqui a algum tempo elas tenham moradores e aumente a biodiversidade naquela zona. No entanto, a associação tem outras caixas maiores cujo tamanho varia de acordo com a diversidade de pássaros existente no local e também daqueles que pretendem atrair." Temos uma caixa que será para poupas, e para a coruja das torres é a maior, quase um hotel", diz João Tomás.

O presidente da Vita Nativa coloca a casa com um pequeno orifício para o chapim real, à espera que nos tempos vindouros já tenha morador. "Já aí está a chegar a primavera e esperamos que nos próximos dias esta caixa já tenha um passarinho", afirma Thijs Valkenburg.

O projeto " Alojamento Local para Aves" pretende suspender 2 mil casas em igual número de árvores em todos os concelhos do Algarve. E para isso a Vita Nativa tem a colaboração de autarquias, de várias empresas municipais mas também de pessoas singulares que querem ver os seus quintais ou propriedades povoadas de pássaros. Além de trazer maior biodiversidade para a malha urbana, João Tomás salienta que este projeto tem outras finalidades, como sensibilizar os mais novos para projetos ambientais e controlar as pragas através do uso da passarada. " Os chapins alimentam-se das lagartas do pinheiro e os peneireiros, os mochos e as corujas de ratos. É um controlo biológico das pragas".

Thijs Valkenburg espera que o esforço da Associação Vita Nativa dê frutos, nasçam crias e se comece a escutar mais o chilrear da passarada nas áreas urbanas do Algarve.

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